O país em recessão explica a degringolada da candidatura Dilma

O país já está em recessão. Não é crescimento medíocre. Não é estagnação. É recuo mesmo. Recessão. Fazia tempo que não se ouvia essa palavra no nosso país

O país já está em recessão. Não é crescimento medíocre. Não é estagnação. É recuo mesmo. Recessão. Fazia tempo que não se ouvia essa palavra no nosso país.

O resultado do primeiro trimestre de 2014 havia sido levemente positivo, de 0,2% no PIB. A previsão para o segundo trimestre é de retração do PIB em torno de 0,4%. A expectativa para o terceiro trimestre também é negativa. Ainda que haja resultados positivos no quarto trimestre, o resultado final do ano se aproxima de 0%. O fato é que hoje já estamos em recessão.

O que tem forçado as revisões para baixo é, sobretudo, o mau momento da indústria. Um dos principais motores do crescimento, o setor desabou e continua a apontar para quedas intensas nos próximos meses. Beneficiada pelos pacotes fiscais lançados pelo governo — isenções de tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carros, máquinas de lavar e até móveis para a casa —, a indústria havia ganho sobrevida. A realidade só bateu à porta das fábricas quando o consumo em disparada incentivou empresários a remarcarem preços. A consequência foi uma escalada da inflação que engoliu a renda das famílias e levou a prejuízos para toda a economia. A produção industrial quase estagnada e o desempenho ruim do mercado de trabalho em junho — o pior resultado em 16 anos — sinalizam que a economia enfrenta um período de retração que se transforma em recessão. Os empresários pararam de investir o que derruba o PIB. O setor de serviços que vinha se comportando de maneira ainda positiva, mostra sinais de desaceleração. Nada nos faz crer que os próximos meses sejam diferentes. O processo de retração deve continuar. Em suma o futuro é preocupante.

Esse quadro econômico explica os resultados das pesquisas eleitorais que estamos conhecendo. A queda de Dilma nas intenções de voto e na avaliação de seu governo é lenta, mas gradual e inexorável antes mesmo do conhecimento mais aprofundado que se tem dos seus adversários, o que só será possível após o início efetivo da campanha nos grandes meios de comunicação. No momento as pesquisas indicam intenção de voto em Dilma e contra ela. E essa segunda opção já é majoritária. Entre ela e a soma dos outros, vence um outro. E é só o começo.

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