Offshore de Guedes valoriza com estouro do dólar, mas ministro desdenha de convocação da Câmara

"Com o dinheiro escondido no esconderijo fiscal, o ministro offshore não paga um centavo sequer de impostos no Brasil sobre este lucro pornográfico obtido", escreve o colunista Jeferson Miola

Paulo Guedes
Paulo Guedes (Foto: ABr | Cleia Viana/Câmara dos Deputados)
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Por Jeferson Miola 

Por decisão majoritária de 310 parlamentares [e 142 contra], em 6 de outubro a Câmara dos Deputados convocou o ministro Paulo Guedes para explicar o inexplicável: a existência de offshore nas Ilhas Virgens.

A Lei de Conflito de Interesses [12.813/2013] é auto-explicável: caracteriza conflito de interesses manter negócio que possa ser afetado por decisão dele próprio, ou que possa influir em seus atos de gestão.

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Quando do vazamento do escândalo da Pandora Papers, ocasião em que foi revelada a fortuna secreta de Paulo Guedes em esconderijo fiscal, a cotação do dólar estava ao redor de R$ 5,30, e o ministro bolsonarista contabilizava então um lucro de R$ 14 milhões.

A desastrosa condução econômica de Guedes fez a cotação da moeda estadunidense explodir nos últimos dias – saltou para próximo da casa dos R$ 5,60. Com o estouro do dólar, naturalmente o lucro acumulado por ele ultrapassou os já espantosos R$ 14 milhões.

Com o dinheiro escondido no esconderijo fiscal, o ministro offshore não paga um centavo sequer de impostos no Brasil sobre este lucro pornográfico obtido.

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Paulo Guedes seria ouvido no Plenário da Câmara no dia 13 de outubro, mas providenciou uma viagem – ou fuga – aos EUA na antevéspera.

A Câmara dos Deputados não comunicou nada a respeito e tampouco realizou novo agendamento para o ministro offshore se explicar no Plenário da Casa.

De acordo com a Constituição [Art. 50], o não comparecimento de Ministro de Estado a convocação da Câmara ou do Senado sem ausência justificada caracteriza crime de responsabilidade.

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O ministro offshore encerrou o breve e providencial auto-exílio e já regressou ao Brasil, mas continua desdenhando da convocação da Câmara com a conivência da própria Casa e, obviamente, com a cumplicidade dos grupos de comunicação, em especial a Rede Globo, que também tiveram suas dinheiramas flagradas na Pandora Papers.

Por isso este acobertamento cúmplice da mídia, do deus-mercado, do judiciário e dos estamentos políticos. Afinal, como se lê na bíblia, “quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

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