OMS: subsídios à agricultura estimulam a alimentação não saudável e contribuem para o aquecimento global

(Foto: Twitter/MST)
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Por Chico Junior 

Os subsídios e outros mecanismos financeiros dados à produção agrícola “muitas vezes apoiam a produção e o consumo de produtos insustentáveis, não saudáveis ​​e comoditizados, como a produção de intensiva de carne, do óleo de palma e do açúcar”.  

A afirmação é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que na última segunda-feira (11/10), divulgou um relatório intitulado "Prescrição para um clima saudável", no qual alerta os participantes da COP26, a Conferência da ONU sobre o Clima, em Glasgow, na Escócia, entre 1 e 12 de novembro: “a mudança climática é a maior ameaça à saúde que a humanidade enfrenta” e propõe atitudes urgentes e contundentes para limitar o aquecimento global.

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Ao propor o fim dos subsídios dos governos à agricultura, a OMS esclarece que “esses incentivos distorcem o verdadeiro custo de produtos insalubres e insustentáveis, em comparação com alternativas que são melhores para saúde humana e ao meio ambiente”.  

“Globalmente, os governos fornecem cerca de US $ 600 bilhões em subsídios agrícolas a cada ano”, diz o relatório. .

Para a OMS os governos deveriam relocar os recursos usados nos subsidios para implementar políticas que promovam práticas agrícolas sustentáveis”, em vez de apoiar opções de produção de alimentos pouco saudáveis ​​e com altas emissões de gases, “rumo à agricultura sustentável e cadeias alimentares diversas e resilientes”.

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Efeito estufa

Com 82 páginas, o relatório é dividido em 10 capítulos – na realidade, uma lista com dez recomendações para os governantes – e um deles, o oitavo diz respeito à alimentação, ao atual sistema de produção de alimentos. Trata-se, segundo a OMS, de “promover a produção sustentável e resiliente de alimentos e dietas nutritivas mais acessíveis que atendem a ambos: clima e resultados de saúde.

Para a OMS, vejam só, uma alimentação saudável – que passa por uma nova forma de ver a produção agrícola, pela diminuição da ingestão de alimentos e bebidas não saudáveis e uma dieta à base de vegetais - podem contribuir, e muito, com a diminuição das emissões de gases que causam o efeito estufa, notadamente o metano.

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“Os sistemas alimentares atuais e, particularmente, os métodos de produção industrial, estão criando tendências globais para a desnutrição em todas as suas formas, impactos ambientais prejudiciais ao clima, e minando a saúde e o desenvolvimento econômico”.

Segundo a OMS, a agricultura global e o sistema de produção de alimentos são, atualmente, os maiores causadores de danos à natureza e à perda de biodiversidade, e “responsáveis

por cerca de um quarto das emissões de  gases de efeito estufa, contribuindo significativamente para a poluição do ar”.

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A implementação de apenas três mudanças - redução do desperdício e perda de alimentos; melhora na gestão da criação do gado; e a adoção de alimentação saudável, principalmente à base de vegetais - poderia reduzir a emissão do metano, um dos gases de efeito estufa mais potentes, em 65-80 Mt/ano nas próximas décadas (a atual emissão global de metano é de aproximadamente 370 Mt/ano).

“Atualmente, nossos sistemas alimentares estão nos deixando doentes, com aproximadamente uma em cinco mortes - 11 milhões de mortes a cada ano (entre 19% a 24% do total mortes de adultos) - associada a dietas não saudáveis, com um adicional de 2,7 milhões de mortes a cada ano de zoonoses diretamente ligadas à nossa alimentação”.

Os números são impressionantes: 690 milhões de pessoas passam fome, dois bilhões de pessoas têm deficiências de micronutrientes, e há mais de 670 milhões de adultos com obesidade.

Além disso, informa o relatório, doenças causadas pela insegurança alimentar, ou consumo de dietas insalubres, são a maior causa de doenças globais.

Uma transformação da produção de alimentos exigiria, em média, mais do que o dobro do consumo de alimentos nutritivos, reduzindo o consumo de alimentos e bebidas não saudáveis ​​em mais da metade.  

Apoio ao produtor rural

A produção sustentável de alimentos requer uma mudança em como cultivamos, colhemos, processamos, transportamos, comercializamos, consumimos e descartamos alimentos.

Para essa transformação a OMS sugere o que vários especialistas mundiais em produção de alimentos vêm afirmando há bastante tempo: o investimento no agricultor, no pequeno produtor.  

“Os governos devem apoiar e trabalhar com os fazendeiros e com aqueles que trabalham no setor agrícola e nas áreas rurais, especialmente com as mulheres, na transição para uma agricultura mais sustentável e  para as mudanças nos sistemas alimentares e nas dietas globais, e também junto às comunidades indígenas e, ainda, com uma visão agroecológica na produção de alimentos”.

Considerando que, atualmente,dietas saudáveis e ​​sustentáveis ​​são inacessíveis para mais de três bilhões de pessoas, a OMS conclui que “a transformação do atual sistema alimentar para outro que proporciona saúde e sustentabilidade em seu núcleo trará benefícios ambientais e econômicos, nacional e globalmente”.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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