Os vendilhões do templo e as armas de Bolsonaro

Muitos de nós católicos, embora não tenhamos feito arminha e não vociferaramos em púlpitos o apoio a essa coisa, votaram e fizeram pouco de quem tentou os alertar

(Foto: Reprodução/vídeo)

Penso que se eu não fosse católico, provavelmente seria um Metodista ou um Presbiteriano. Sempre me identifiquei com eles em razão de sua postura, enquanto evangélicos, da acolhida ao diferente, da coragem apostólica em ser Igreja Profética e denunciar o mal. Os Batistas, talvez seja a ala protestante que tenho maior proximidade histórica, tenho muitos amigos dessa vertente. Também e pelas mesmas razões, gosto muito dos Anglicanos, mas, por uma questão de distância, dificilmente, teria condições de participar de uma comunidade anglicana! 

Enfim. Eu sempre tive afinidades com meus irmãos de fé das Igrejas Protestantes Tradicionais. Até tentei, em minha juventude me aproximar da Renascer... mas a tal teologia da prosperidade, me dava náuseas! Mas gostava da alegria deles, até chegar na questão financeira! Ai, virava algo ruim! Enfim... não iria rolar!

A eleição de Jair Bolsonaro me faz dar Graças a Deus não ser evangélico! O que vi nessa última eleição provavelmente colocaria minha fé em conflito insanável com esses líderes! E olha que tenho que tomar muito cuidado ao falar isso, pois entre os católicos, a vergonha é ainda maior, pois aqui, não temos sequer a justificativa de dizer que não sabíamos! 

Meus irmãos católicos e católicas que apoiaram esse traste têm na Doutrina Social da Igreja todos as justificativas e razões pra dizer #ELENÃO... mas preferiram o caminho da hipocrisia e se submeteram ao discurso do ódio e do desprezo pela razão! 

Em vez disso, muitos de nós católicos, embora não tenham feito arminha e não vociferaram em púlpitos o apoio a essa coisa, votaram e fizeram pouco de quem tentou os alertar!

Alguns sacerdotes católicos de forma vergonhosa também se submeteram e levaram a comunidade a este erro que é absurdamente contraditório com quem tem o Evangelho como referência de vida. São os mesmos que, não por acaso, detestam Papa Francisco.

Mas, apesar de tudo isso, esse messias, o Jair Bolsonaro, não tem espaço na Igreja Católica para gestos como estes! Jamais lhe será dado, sem pronta resposta e reprimenda direta, uma oportunidade dessa natureza para destilar sua campanha nazifascista de propagandear a violência como forma de ação governamental.

Ontem, em seu discurso político num evento religioso, lembrei-me da passagem onde o povo fez a opção por Barrabás (Mateus 27,17).

A violência contra a sociedade, também no julgamento de Jesus se fazia presente e o povo, insuflado por um discurso de ódio e medo, por parte dos líderes religiosos de então, fez a opção pela violência, pois o discurso do maior de todos os profetas que pregava a paz incomodava os donos do poder. Ontem gritavam "Soltem Barrabás" hoje, gritaram "MITO, MITO, MITO" e Bolsonaro está livre pra falar sobre violência na marcha que era pra ser pra Jesus...

Em dois momentos nos Evangelhos, temos a figura de Jesus Cristo em situações que parecem uma contradição. A primeira esta no momento em que pega um chicote e ataca os vendilhões do Templo. (João 2, 13-25) Pessoas que exploravam a fé do povo, vendendo dentro e nas portas da Igreja, (Sinagoga) toda sorte de produtos para que os pecados fossem perdoados. Alí, pouco de falava de Deus e muito se induzia a uma fé que levava ao egoísmo e a compra das bênçãos de Deus. O que é impossível! Foi nesse dia que Jesus disse como seria sua morte e o que a motivaria. 

Num segundo momento, Jesus diz que não veio trazer a paz, mas a espada. E o que significa isso?

Esse Evangelho se encontra em (Mateus 10, 34) e não se refere a uma revolução armada ou guerrilha ou um chamado à violência. O seu significado é a convocação definitiva para que seja Jesus Cristo e sua mensagem o fundamento da vida e da prática cotidiana dos cristãos. Jesus é a própria espada. Para que a mensagem do Evangelho seja disseminada em toda sua potencialidade, se exige  uma tomada de decisão e mudança de vida em favor da Paz. E esta mudança, evidentemente trás reações por parte de outras pessoas. 

Por causa disso,  as divisões na família, no trabalho, na escola e na própria igreja são muito próprias de quem assume o Evangelho e denuncia as injustiças, pois isso incomoda! Defender os mais pobres, os excluídos, as minorias é estar pronto para a guerra e a espada a ser empunhada tem um nome. JESUS CRISTO.

Aos Católicos resta o reconhecimento de que erraram ao apoiar isso A partir dai, demonstrar o arrependimento e a confessar diante de um sacerdote e ou da comunidade para a expiação do pecado, conforme catequisa a doutrina. 

Aos Evangélicos de boa fé, a pratica libertadora de censurar, rejeitar e dizer que não toleram a violência! Que o Evangelho e os evangelicos não usam como ARMA o ódio para assegurar a paz!

Coragem, profecia e fé. Jesus venceu o discurso de violência e a morte de forma definitiva e ressuscitou! 

Essa é a esperança do verbo esperançar, que nos anima a segui-Lo.

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