Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia
Brasileiros e brasileiras que já viajaram aos Estados Unidos conhecem o ritual de intimidação do serviço diplomático norte-americano.
Filas no consultado para obter o visto, entrevistas com hora marcada e outras exigências típicas marcam os cuidados de um país que faz questão de se proteger no interior de suas fronteiras e tenta evitar visitantes indesejados. Não faltam relatos de famílias que, na hora de entrar no país, foram submetidas a interrogatórios constrangedores.
Por razões compreensíveis, até hoje a diplomacia brasileira impunha a mesma exigência a visitantes norte-americanos.
É uma questão de dignidade, auto-respeito, que deve marcar a convivência entre os povos. Ainda que os países sejam diferentes pelo grau de desenvolvimento, pelo padrão de educação ou qualquer outro critério, o princípio universal de que todos são iguais em direitos, qualquer que seja sua origem, gênero ou classe social, é um dos pilares do mundo em que vivemos. Faz parte da cultura contemporânea e foi consagrado pela Carta de Direitos Humanos da ONU, marco de um um período histórico marcado pela denuncia do preconceito, do racismo e do colonialismo.
Ao liberar o ingresso de visitantes norte-americanos, sem receber a contrapartida equivalente, o governo Bolsonaro coloca o país numa posição duas vezes humilhante, de quem se submete a um tratamento diferenciado mas abaixa a cabeça sem um gemido de protesto.
Herança da Guerra Fria, o controle de fronteiras norte-americanas inclui o veto por razões políticas.
Numa conjuntura na qual cresce a resistência ao projeto de construção de um muro gigantesco na fronteira que separa os Estados Unidos dos países abaixo do Rio Grande, a eliminação de um simples visto de ingresso no Brasil representa uma vergonha do ponto de vista da cidadania e pode se revelar uma medida irresponsável do ponto de vista da segurança interna.
Além de tratar os habitantes do país como cidadãos de segunda classe, a medida libera as fronteiras para o ingresso de delinquentes e mesmo criminosos de maior periculosidade em busca de um refugio fora dos EUA.
Alguma dúvida?
(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão