No primeiro discurso após decretar a ditadura, mais tarde conhecida como Estado Novo, a 11 de novembro de 1937, Getúlio Vargas disse que fechava todos os partidos porque não seriam mais necessários:
“Não preciso de intermediários; vocês vão fazer suas reivindicações diretamente comigo”.
Ao assumir a presidência dos Estados Unidos, em 2016, Donald Trump disse que a imprensa é sinônimo de fake news e passou a se comunicar diretamente com a população por meio do Twitter e outras redes intituladas sociais, onde podia mentir à vontade.
Dois anos depois, seu imitador nos trópicos, adotou, na presidência da República, uma ferramenta de propaganda como forma de comunicação do governo. Surgiram as lives do Bolsonaro.
Nenhum presidente da República pode prescindir, numa democracia, da intermediação dos partidos para governar e da imprensa para falar com a população.
Live ou podcast faz sentido numa campanha eleitoral, não num governo, porque é propaganda. E, governo democrático, não precisa fazer propaganda, precisa governar. E ser questionado.
Se o presidente Lula quer falar bastante com os brasileiros, tem várias opções à disposição. Pode convocar entrevistas coletivas semanais, em diversos formatos, pode dar entrevistas exclusivas, pode convocar rede nacional de rádio e TV.
Live ou podcast é uma forma autoritária de comunicação, de cima para baixo, que não combina com democratas, como Lula.
Espero que ele não embarque nessa.
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