Que Deus nos proteja de nós!

Quantas pessoas morrerão de Covid-19 em cinco dias, enquanto parte da fútil elite brasileira e influenciadores de idiotas úteis estiverem curtindo Natal e Réveillon?



Mesmo partindo, 2020 não terminará tão cedo. 2021 será a sequência, infelizmente pior, de tudo aquilo a que fomos submetidos no ano da peste. Enquanto escrevo, caminhamos para a marca de duzentos mortos por Coronavírus. As ruas, no entanto, estão cheias, bares e praias, lotados, as festas dos “famosos” estão bombando. Alguns farão festa de cinco dias para 150, 500 convidados. Quantas pessoas morrerão de Covid-19 em cinco dias, enquanto parte da fútil elite brasileira e influenciadores de idiotas úteis estiverem curtindo Natal e Réveillon? Para tal pergunta, teremos as respostas quando janeiro chegar.

A acídia que impregna a introdução da nossa crônica de fim de ano faz coro à indignação da cientista Natália Pasternak. Entrevistada ao vivo no Jornal da Cultura, a cientista teve que assistir uma reportagem sobre a pandemia de Covid-19. Ao final, disse: “Eu tô um pouco passada com o que eu escutei agora, porque eu escutei “humor”, “leveza” e “evitar o estresse”. Então eu não posso falar pro outro fazer a coisa certa porque eu posso ficar estressado? Porque ele pode se ofender e porque eu tenho que tratar isso com leveza? Tem gente morrendo. Não tem humor, não tem leveza, eu não tenho que pedir permissão pro outro pra dizer pra ele que ele tem que usar máscara, pra fazer a coisa certa, pra ele tomar vergonha nessa cara, que ele vai matar alguém. Desculpe eu me exaltar, mas eu acho que realmente poucas vezes eu vi uma reportagem tão inoportuna como eu vi agora”, concluiu.

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A fala certeira e necessária de Pasternak nos relembra que uma pandemia, como a que estamos enfrentando, não é apenas biológica, mas é também moral. Chafurdar em sua festinha medíocre, cercado por uma legião de puxa-sacos, é de um mau-caratismo sem tamanho. Mas por qual razão brasileiros ricos e emergentes sentem-se no direito de sambar sobre a memória de quase duzentos mil mortos? Resposta: porque podem. Porque estão acima da lei. São pessoas imersas no egoísmo e na irracionalidade. São seres humanos vazios, destituídos de empatia e solidariedade, e que contam com o beneplácito do Estado e a mão amiga da mídia nativa, que inventa e distorce notícias a seu bel prazer, como visto na matéria que indignou a referida cientista. Em situações de pandemia, também surgem pessoas extraordinárias (na verdade, elas sempre estiveram presentes). Assim, para cada influencer (desculpem o palavrão), para cada atleta estúpido, há sempre um Júlio Lancellotti, por exemplo. E é isso que equilibra o jogo, que nos dá força e nos faz seguir na cotidiana luta contra o mal que emana da estupidez e da ignorância em tempos tão sombrios.Sobre esse mal, Camus (1913-1960), em A peste (1947), nos diz que: “O mal que existe no mundo provém quase sempre da ignorância, e a boa vontade, se não for esclarecida, pode causar tantos danos quanto a maldade. Os homens são mais bons que maus e, na verdade, a questão não é essa. Mas ignoram mais ou menos, e é a isso que se chama virtude ou vício, sendo o vício mais desesperado o da ignorância, que julga saber tudo e se autoriza, então, a matar. A alma do assassino é cega, e não há verdadeira bondade nem belo amor sem toda a clarividência possível”. Que 2021, apesar de tudo, nos seja leve, e que Deus nos proteja de nós!

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