Reféns do medo

Para o advogado Pedro Maciel, "Bolsonaro, o bolsonarismo e a horda de tolos que, cega e irrefletidamente, segue o mito colocaram as instituições em quarentena"

Bolsonaro
Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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As instituições brasileiras são reféns do medo.

Bolsonaro, o bolsonarismo e a horda de tolos que, cega e irrefletidamente, segue o mito colocaram as instituições em quarentena.

Os setores democráticos à esquerda, ao centro e à direita estão inertes, esquizofrênicos enquanto o autoritarismo é normalizado. 

Em dezembro de 2014 escrevi e o VERMELHO publicou um artigo que chamei de “A Direita está de volta?”, no qual perguntei: “a direita está de volta? Será que Bolsonaro (que sempre considerei uma caricatura patética de uma direita reacionária e praticamente extinta) representa de fato muitos bolsonaros? Será que há muitos bolsonaros no Brasil?”.

A caricatura transformou-se em presidente do Brasil e os setores democráticos à esquerda, ao centro e à direta, seguem sem entender o que de fato aconteceu no país desde junho de 2013 e nas eleições de 2014.

Contextualizando. O Resultado das eleições no 1º turno em 2014 deveria ter colocado a esquerda em alerta.

Se no estado de São Paulo ela não foi propriamente “varrida do mapa” a votação expressiva de Aécio Neves no estado de São Paulo, apoiado grandemente por setores de direita, com quase 11 milhões de votos, contra pouco mais de 5 milhões de votos dados à presidente Dilma; a diminuição significativa da bancada de centro-esquerda na Câmara dos Deputados; a perda de uma cadeira no Senado; diminuição de cadeiras na Assembleia Legislativa e o desempenho sofrível dos candidatos de esquerda ao governo, são fatos que deveriam ter sido responsavelmente objeto de reflexão, o que não aconteceu.

A mesma classe média, que sempre apoiou a esquerda, não a via mais como sua representante. Por que? O que fazer? eram perguntas fundamentais que não foram feitas, afinal Dilma venceu as eleições e era isso que importava. Mas o encadeamento dos fatos mostrou que não era apenas vencer as eleições que importava...

O fato é que a direita brasileira, cuja opinião passou a expressar-se facilmente na mídia e nas redes sociais, estava disposta a romper com a institucionalidade e rompeu.

Talvez seja herança do “espírito da Casa Grande” o ódio aos pobres, aos nordestinos e aos negros e condescendência ao estuprador confesso; talvez a direita não suporte a ascensão social das classes subalternas, mesmo quando isso reforça a posição da classe ociosa no topo pela ampliação do mercado interno, como escreveu o professor Fernando Nogueira da Costa.

A esquerda democrática estava, e está perdida, no meio disso tudo, pois tem que fazer Política, constituir alianças, transigir, negociar e buscar campos de não colidência e ação moderada, tudo sem e sem o apoio de uma classe média, no mínimo, conversadora e que não confia mais nela.

Se parcela da sociedade não está a enxergar no governo atual a representação direta de seus interesses concretos, por outro lado a esquerda não apresenta alternativa, debate, reflexão e pior: perde de 7x1 nas redes sociais.

Bolsonaro quer governar sem congresso, sem STF, STJ, TSE, sem imprensa livre, pretende voltar a governar até via ditadura militar; não negocia politicamente, não debate. 

Para essa nova direita, melhorias adicionais de padrão de vida no Brasil não devem vir mais do Estado, via políticas públicas, mas unicamente de conquistas individuais baseadas no esforço e mérito reconhecidos por viés de auto validação dos próprios pares. Essa é a visão individualista da direita golpista ultraliberal e dos tolos.

Esse debate tem de ser feito, a partir das fileiras dos setores progressistas, dos trabalhadores e seus sindicatos, do micro, pequeno e médio empresário, pois o Brasil pode e deve seguir avançando nas mudanças iniciadas em 2003, e buscar a reconciliação com a classe média e com antigos companheiros que buscaram acolhida no PSB, PDT, Psol,  PCdoB, PV e com todos os setores democráticos de centro e de direita, afinal todos tem muito a dizer, aprender e ensinar. Não sendo assim viveremos as sombras, o medo e as dores da ausência de liberdade e da relativização de Direitos.

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