Opinião

República Bananeira do Brasil

“A sessão da Câmara de 17 de abril de 2016, o dia da infâmia, pode ter matado o governo Temer antes mesmo do seu início”, diz Leonardo Attuch, editor do 247; “Como um golpe não confere legitimidade a um presidente, Michel Temer vem tendo dificuldades para montar a equipe de seu eventual futuro governo. Para…

"A sessão da Câmara de 17 de abril de 2016, o dia da infâmia, pode ter matado o governo Temer antes mesmo do seu início", diz Leonardo Attuch, editor do 247; "Como um golpe não confere legitimidade a um presidente, Michel Temer vem tendo dificuldades para montar a equipe de seu eventual futuro governo. Para a Fazenda, ele já recebeu duas negativas: uma de Armínio Fraga, que, quando presidente do Banco Central, deixou um legado de baixo crescimento e inflação alta, e uma do competente Marcos Lisboa. Este mandou até um recado: só um presidente eleito pelo voto teria legitimidade para levar adiante um programa de reformas"
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Assim como a data do ataque dos japoneses a Pearl Harbour entrou para a história dos Estados Unidos como “o dia da infâmia”, o Brasil conseguiu produzir um evento ainda mais vergonhoso – mas fabricado por inimigos internos, e não externos. O 17 de abril de 2016, data em que um grupo de parlamentares decidiu enterrar a própria democracia, sob a liderança de um político que hoje simboliza a corrupção, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), será para sempre o nosso dia da infâmia.

Certamente, não era assim que o vice-presidente Michel Temer pretendia chegar à presidência da República, nem era esse o plano de seus parceiros do PSDB na empreitada. No entanto, por mais que que a imprensa brasileira tenha tentado conferir ares de legitimidade ao golpe, a mídia internacional foi implacável com a conspiração tabajara. New York Times, Le Monde, Washington Post, Guardian, Independent, El Pais, Der Spiegel… não houve um veículo de peso no mundo que não ridicularizasse o nosso 17 de abril: o dia em que corruptos se uniram para derrubar uma presidente honesta usando como pretexto a tese de pedaladas fiscais e ainda um discurso de combate à corrupção.

Como um golpe não confere legitimidade a um presidente, Michel Temer vem tendo dificuldades para montar a equipe de seu eventual futuro governo. Para a Fazenda, ele já recebeu duas negativas: uma de Armínio Fraga, que, quando presidente do Banco Central, deixou um legado de baixo crescimento e inflação alta, e uma do competente Marcos Lisboa. Este mandou até um recado: só um presidente eleito pelo voto teria legitimidade para levar adiante um programa de reformas. Ou seja: não é o caso do vice-presidente.

Isso demonstra que o governo Temer pode estar chegando ao fim mesmo antes de começar. Atento a todos os movimentos da política, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), já sinalizou que não pretende acelerar o processo. Em três ou quatro semanas, haverá tempo para digerir melhor a monstruosidade cometida no dia 17 de abril, a data em que um grupo de parlamentares se uniu para transformar o País na República Bananeira do Brasil. Renan, certamente, não pretende contribuir para aquela que já é, como disse a presidente Dilma, a maior fraude política e jurídica da história do País.

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