O PSDB passa pelo momento mais vergonhoso da sua história. Nascido em oposição a um dos corruptos históricos, Orestes Quércia, atravessa um inferno astral interminável, chafurdando na lama da corrupção. Seu presidente nacional, senador Aécio Neves, não é mais presidente nem senador. Sua irmã e principal operadora está presa. O dia de sua cassação se aproxima. Sua carreira política acabou.
Dois potenciais candidatos ao Planalto em 2018, Serra e Alckmin estão feridos de morte soterrados por uma avalanche de denúncias de arrepiar. E tudo indica que o candidato do partido será o liberal xiita João Dória, que tem se esmerado em acabar com a cultura de São Paulo e em vender seus parques e jardins por um punhado de dólares aos americanos. Eleito presidente, sonhará em vender a Amazônia. Se Montoro e Covas ainda estivessem vivos, morreriam de desgosto. O partido que brandia a bandeira antiquercista (porque ele simbolizava a corrupção) não resistiu às tentações do poder.
Agora quem faz Montoro e Covas passarem vergonha é Fernando Henrique Cardoso. Ele não viu nada de comprometedor na fita de Joesley e Temer. Chegou a sugerir renúncia do presidente, mas depois de ouvir a fita, recuou. Ou ele não ouviu direito e não conhece o contexto em que a reunião clandestina se deu – às 11 da noite de domingo, no porão do Jaburu, com Joesley se identificando como Rodrigo – ou sabe de tudo isso e está pouco se lixando se Temer é ou não é corrupto. E quer o partido apoiando Temer. É um disparate. Até o ruralista Ronaldo Caiado caiu fora do barco para não naufragar junto.
A verdade é que os tucanos continuam apoiando Temer porque são irmãos siameses. Não por acaso, Aécio e Temer, ambos presidentes de seus partidos usam a política como balcão de negócios e não de soluções para a população. Têm compromisso com os empresários que os sustentam, não com os eleitores que os sufragam. Ambos têm o mesmo discurso moralista e antiquado. Suas ideias, se é que existem, estão mofadas. O PSDB está cometendo o maior erro da sua história. A essa altura, quem está com Temer não é seu aliado, é seu cúmplice.
P.S. Ah, agora me lembrei. Há uns dois anos o diretor Bruno Barreto me contou que, de fato, Fernando Henrique estava com problemas de audição. Tomara que seja isso.
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