Engana-se Tarcísio de Freitas se acha que foi eleito governador de São Paulo por Bolsonaro. E por isso lhe deve favores.
Ele foi eleito pelos paulistas.
A eles, portanto, ele deve servir e não a Bolsonaro. E os paulistas, como já demonstraram em 1932 e em 1984, e como Ulysses Guimarães verbalizou, têm ódio e nojo da ditadura.
Tarcísio também se engana se acha que foi eleito pelos paulistas influenciados pelo Bolsonaro de 2024; foi eleito pelos paulistas influenciados pelo Bolsonaro de 2022.
Naquele ano os paulistas ainda não sabiam a respeito de Bolsonaro tudo o que sabem hoje.
Hoje, todos sabem, Bolsonaro está às vésperas de ir para o cadafalso por comandar uma organização criminosa que planejava um golpe de estado e se empenha em (1) se fazer passar por vítima e (2) arrastar seus aliados com ele.
Não é bom ser refém de ninguém, mas ser refém de Bolsonaro é a pior coisa que pode acontecer a um político. O resgate é impagável.
João Dória que o diga.
Inventou o voto “bolsodória”, foi eleito, teve momentos de glória, mas sua carreira política acabou.
Tarcísio tem um futuro pela frente; Bolsonaro só tem passado. E um passado que o condena.
Gratidão é uma coisa, cumplicidade é outra. O ato ao qual Tarcísio promete comparecer não é pró-Bolsonaro, é contra o STF, é a favor do golpe de estado.
Quem apoia golpe de estado afronta a constituição e governante que afronta a constituição pode ser destituído legalmente.
Se for ao ato, Tarcísio vai arriscar seu pescoço, sem salvar o de Bolsonaro. Com ato ou sem ato, seu destino está traçado.
Há alguns dias, perguntei neste espaço quem será a próxima vítima de Bolsonaro.
Tarcísio parece ser um forte candidato.
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