Presidente ainda interino, Michel Temer terá que agir rápido para que o desconhecimento da população a seu respeito não se transforme rapidamente em desaprovação – o que abriria espaço para a eventual volta da presidente afastada Dilma Rousseff ou para novas eleições.
A tarefa essencial, para Temer, é conseguir resultados rápidos na economia. Nesse sentido, ele contará com algum vento a favor e será auxiliado por um ministro, Henrique Meirelles, que fez falta na equipe de Dilma desde o primeiro dia.
Com esse “fator Meirelles”, o real tende a se valorizar, reabrindo a janela para que os brasileiros voltem a viajar ao exterior – o que alivia um fator de descontentamento da classe média. Além disso, um real mais forte reduz as pressões sobre uma inflação já em queda e abre espaço para reduções das taxas de juros.
O que não se sabe é se essa brisa será suficiente para tirar rapidamente a economia da crise. Até porque, desde a implosão do setor de infraestrutura, várias empresas hoje enfrentam sérias dificuldades – e muitas terão que reestruturar suas dívidas, atingindo também os bancos e reduzindo a propensão do setor financeiro a emprestar.
O nó maior, no entanto, não é esse. Como Temer é ainda interino, ele pode frustrar os mercados, que nele apostam, ao desistir de propostas impopulares, como uma reforma radical da Previdência. Ao menos, enquanto Dilma não tiver sido julgada definitivamente.
Um primeiro sinal nessa direção foi a informação de que a mudança dos sistemas de pensões e aposentadorias só atingirá quem estiver entrando agora no mercado – ou seja, muito pouco para quem apostava em mudanças radicais. Se Temer pretende mesmo fazer reformas estruturais, a tendência é que só o faça depois de ter um diploma definitivo de presidente da República.
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