De dentro do seu cubículo de nove metros quadrados o ex-deputado Eduardo Cunha continua sendo o homem mais poderoso da República.
Acima de Michel Temer?
Sim, acima dele. Porque, se contar o que sabe, Cunha o derruba na hora.
Cunha é a espada de Dâmocles de Temer pendurada 24 horas por dia sobre a sua cabeça.
Se Temer não aceitar algum pleito de Cunha, a espada pode descer.
Eis porque de vez em quando surgem notícias de que Cunha prepara sua delação premiada. E dias depois o assunto morre.
Os dois movimentos correspondem a pleitos de Cunha. Quando espalha que vai delatar é uma ameaça, está pedindo alguma coisa e Temer vacila em atender. É um ultimatum.
Quando o assunto morre é porque Cunha foi atendido.
Cunha é a maior ameaça a Temer porque todas as outras ele pode neutralizar com sua maioria de deputados tatuados.
Daí todo o empenho para tirar Cunha da cadeia o mais rapidamente possível. Só assim a espada de Dâmocles será desarmada.
A grande esperança de Cunha é ser solto por um pedido da procuradora que vai substituir a Janot no mês que vem, dona Dodge, ao STF, onde já tem dois votos garantidos, os de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, defensores de prisões preventivas menos demoradas, tese em que Cunha se enquadra à perfeição.
Mendes já demonstrou ser capaz de passar por cima de tudo, inclusive da constituição, em nome de uma propalada estabilidade política de Temer.
Não vai lhe custar tirar mais essa espada da cabeça de seu amigo.
E ganhar o epíteto de “ministro tatuado” do STF.
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