Temer resolveu chamar o Exército para o seu lado e entregou Brasília aos militares por sete dias, por um decreto que assinou hoje e que faz parte de sua estratégia de se acorrentar à cadeira de presidente, que ele chamou de “se quiserem, me derrubem”.
O objetivo principal não é proteger os prédios da administração ou seus funcionários, pois o decreto saiu depois que tudo já estava pegando fogo. E sim a si próprio e aos seus aliados dos próximos protestos pacíficos, como era para ser esse. E reprimi-los severamente. É um claro atentado ao direito de manifestação previsto na constituição.
Algum áulico deve ter soprado em seu ouvido que, se conseguir parar os protestos vai diminuir a pressão sobre deputados e senadores, que assim poderão levar em frente a sua agenda de destruição de salários e direitos dos trabalhadores.
E se a agenda for em frente ele vai ganhar uma sobrevida, por mais que todo mundo tenha visto como ele se relacionava com o rei do gado.
Quem ateou fogo e botou pra quebrar – os “vândalos” como a Globo gosta de chamar – não foram ao trabalhadores do campo e da cidade que viajaram a Brasília de todas as partes do país e sim mascarados que ninguém sabe de onde vieram nem quem os trouxe, provavelmente provocadores.
Eles deram o pretexto a Temer para colocar o Exército nas ruas da capital, o que não acontecia desde a ditadura de 64. E, se colocou a tropa na capital, nada o impedirá de estender a medida a São Paulo ou Rio.
Não é difícil adivinhar que os movimentos populares não vão deixar de protestar, o que faz prever um futuro próximo de conflitos urbanos de proporções imprevisíveis.
Para Temer isso é bom. Qualquer assunto é melhor do que manchetes sobre Rocha Loures.
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