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João Jorge Pimenta

Estudante de Letras. Militante do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Colunista do Diário Causa Operária (DCO)

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Temos que ser anti-sistema

A esquerda está perdendo terreno internacionalmente. O motivo é simples: o sistema está em frangalhos, se abraçar nele é a morte

Temos que ser anti-sistema (Foto: Reprodução)

João Pimenta, DCO

Seja você de esquerda ou de direita, seja você você do “sistema” ou contra ele, odeie ou ame o companheiro Rui e o PCO, a entrevista dele na famigerada Jovem Klan chamou a sua atenção. A maioria dos comentaristas daquele programa são de extrema-direita, os que não são, como o economista Samy Dana, são neoliberais ortodoxos, há quem diga, como eu digo, que ser neoliberal é pior que ser bolsonarista, ainda que um não exclua o outro. Rui Costa Pimenta é o mais esquerdista que se pode chegar, defende a total expropriação dos meios de produção, o comunismo, sindicatos, a liberdade de expressão e o ex-presidente Lula. Ao ler este parágrafo, você deve estar pensando que saiu até soco na conversa, não, não saiu.

Os comentarista da Jovem Pan começaram a perguntar sobre tudo e todos. Queriam ver o que um comunista radical teria a dizer sobre os mais variados temas. Surpreenderam-se primeiro em ouvir que Bolsonaro, Doria e Moro levariam o País a uma posição de subalterno na arena mundial. Atônitos, ouviram o presidente do PCO bradar contra o domínio do capital internacional, do imperialismo, sobre o Brasil. Não ouviram uma sílaba sobre ecologia ou ideia da moda, ouviram que o Brasil não tem indústria de carro por conta do capital internacional, ouviram que o brasileiro está sendo saqueado pelo acionista estrangeiro da Petrobrás ao pagar R$ 7 num litro de gasolina. Os que tanto acusaram a esquerda de ser “globalista”, viram uma genuína defesa do interesse da nossa pátria, mais especificamente, dos trabalhadores desta pátria.

Ao ser perguntado o que achava de ser taxado de “bolsonarista” por defender a liberdade de expressão até para Bolsonaro, Rui respondeu algo que pouco se ouve na política atual: Nós temos princípios, defendemos a liberdade de expressão, doa a quem doer, não defendemos a liberdade de apenas alguns se expressarem. Rui martelou de novo no tema ao dizer que o problema da esquerda moderna é a falta de princípios.

Insistiram no tema, perguntaram do passaporte da vacina, tema caro à direita. Ouviram algo que não esperavam: sou da Causa Operária, vou defender a demissão do operário?

O público esperava algo que não veio. Esperavam tergiversação, respostas cínicas, politicagem. Viram uma política. Podiam não concordar, mas estavam atentos ao debate.

Pedida a ficha corrida de Rui, viram o comunista atacar a ditadura militar com unhas dentes ao falar de sua juventude, ao ver que ele questionava aquela censura e por isso não se curvaria a censura alguma. Perguntaram por que foi expulso do PT, Rui retrucou: por ser contra acordos com sistema. Pela escolha de vices como Michel Temer.

Havia outra centena de temas que um público direitista teria os olhos abertos se ouvisse, como o STF, a questão do armamento e o problema das forças armadas. De lambuja, viram Rui elogiar Lula e ficaram sem palavras: “pense o que quiser dele, Lula é um genuíno líder dos trabalhadores, não é rato de laboratório como Guilherme Boulos”.

Isso mostra algo que tem que ser dito com todas as letras: uma parte do eleitorado de Bolsonaro não é “de direita” simplesmente, ele virou de direita por achar que a esquerda é o sistema e eles são revoltados com o sistema. Eles ficaram confusos ao ver que Rui era de esquerda e não era do tal sistema, mais ainda, surpreenderam-se ao vê-lo acusar Bolsonaro de ser falso profeta, de ser apenas mais uma face do sistema.

O PT é um partido do sistema, Lula foi considerado por muito tempo por parte do sistema. Sua ideologia pode até ser parte do sistema, mas seu eleitorado não. Seu eleitorado é aquele povo que o sistema mata de fome, ao ser preso pela Lava Jato, o povo viu em Lula aquele velho líder operário, perseguido por defender os mais pobres, bem como Vargas escreveu sobre si mesmo. Nesse sentido,

A esquerda tem que se divorciar do sistema, o PCO tem que liderar essa carga, afinal o partido é anti-sistema pela própria natureza. Se conseguirmos isso, liquidamos de uma vez e por todas o bolsonarismo, pois tiramos dele a posição moral em que ele se sustenta. Vamos começar por liquidar essa história de Alckmin vice, o vice de Lula tem que ser contra o sistema.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.