Tomatec: a aposta da Embrapa para o cultivo sustentável do tomate

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Em 2008, uma nova maneira de cultivar o tomate foi apresentado formalmente ao país pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): o Tomatec, que, na definição do órgão, se traduz como “tomate em cultivo sustentável”.

A equipe de pesquisadores da Embrapa, coordenada pelo engenheiro agrônomo José Ronaldo Macedo e tendo como responsável técnico o também agrônomo Adoildo da Silva Melo, iniciou o cultivo do “novo tomate” em dois munícipios do Estado do Rio de Janeiro: Nova Friburgo e São Sebastião do Alto.

Na realidade, a pesquisa do Tomatec começou em 1995, com um cultivo piloto em Paty do Alferes (o maior produtor de tomate do Rio), seguido de outro em São José de Ubá, também no RJ. 

Em 2015, o Tomatec obteve o Selo de Tecnologia da Embrapa.

Hoje há 13 lavouras com o Tomatec em sete municípios do Rio e oito no Paraná, na região de Londrina. 

Menos agrotóxicos

Dos seis princípios que sintetizam o Tomatec, dois chamam a atenção, pois reduzem bastante a possibilidade do uso de agrotóxicos. Um é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), em que só se aplicam produtos químicos se a praga apresentar danos econômicos à lavoura. O outro é a chamada Barreira Física, que consiste em ensacar as pencas dos futuros frutos ainda em flor com saco de papel especial para proteção dos frutos contra a broca pequena e protegê-los em caso de aplicação de produtos químicos.

Os outros princípios são: Conservação do solo, com o predomínio do plantio direto com rotação de culturas; Eficiência da água, em que se prioriza o gotejo, com a planta recebendo a quantidade exata de sua necessidade, evitando o desperdício; Eficiência da adubação, com base analise de solos e a curva das necessidades da planta e a aplicação correta dos adubos; e o Tutoramento Vertical, que consiste em conduzir a planta com fitilhos, proporcionando um melhor arejamento da cultura.

Comendo o fruto do pé

Para José Adoildo, “é muito gratificante ver os produtores produzindo um tomate de alta qualidade, praticamente livre de resíduos de agrotóxico”, diz. “Chegamos na lavoura e podemos colher um fruto e comer na hora, sem medo de contaminação, pois reduzimos de 50 pulverizações com produtos químicos para 10 no ciclo da lavoura, que são de 150 dias”.

Mercado

Para o pequeno agricultor, porém, a questão do preço final do produto é um impeditivo no cultivo do Tomatec, pois o processo de produção é mais custoso do que no método tradicional.

Mas alguns produtores do Rio “estão aproveitando ao máximo os frutos, produzindo molhos e geleias, tendo perda quase zero”, diz Adoildo.

Esse é o caso de Alessandra Macedo, que, junto com o marido Gabriel, cultiva o Tomatec em Tanguá (RJ). Não por coincidência, Alessandra é filha de um dos criadores da técnica do Tomatec, José Ronaldo. Depois de “acompanhar” o desenvolvimento do Tomatec durante anos, ela, formada em Administração e em Educação Física, e o marido, cineasta, resolveram se mudar para o sítio da família para produzir o Tomatec.

“Eu não plantaria tomate no sistema tradicional, mas planto com orgulho o Tomatec”, diz Alessandra. “E consumo o meu tomate praticamente todo dia”.

A maior parte de sua produção de 35 toneladas por ano, vai para a rede de supermercados carioca Zona Sul. O restante ela usa para fazer molhos (são sete sabores) e polpa congelada, com planos de produzir, num futuro próximo, ketchup e molho barbecue. 

“Nossos molhos não levam açúcar, conservantes, corantes, derivados de animais e nem água. É só tomate e temperos”.

E o melhor de tudo: perda zero. 

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