Trabalho e sangue

O 'standard' sócioprodutivo com base nos tempos, na estética, na espacialidade e no modelo de Henry Ford sempre foi, além de trágico moedor de gente, gerador de doenças físicas e psico-sociais incuráveis. Doenças de fundo nervoso como as oceânicas depressões, a ansiedade como exercício cotidiano de autodestruição ou as eternas insonias, doenças respiratórias e patologias afins. São males atualizados, re-feitos e massificados no pleno exercício do fordismo



O 'standard' sócioprodutivo com base nos tempos, na estética, na espacialidade e no modelo de Henry Ford sempre foi, além de trágico moedor de gente, gerador de doenças físicas e psico-sociais incuráveis. Doenças de fundo nervoso como as oceânicas depressões, a ansiedade como exercício cotidiano de autodestruição ou as eternas insonias, doenças respiratórias e patologias afins. São males atualizados, re-feitos e massificados no pleno exercício do fordismo
O 'standard' sócioprodutivo com base nos tempos, na estética, na espacialidade e no modelo de Henry Ford sempre foi, além de trágico moedor de gente, gerador de doenças físicas e psico-sociais incuráveis. Doenças de fundo nervoso como as oceânicas depressões, a ansiedade como exercício cotidiano de autodestruição ou as eternas insonias, doenças respiratórias e patologias afins. São males atualizados, re-feitos e massificados no pleno exercício do fordismo (Foto: Ângelo Cavalcante)

Imaginem o seguinte quadro: empresas, mesmo beneficiadas com isenções, anistias e financiamentos públicos e que seguem operando em baixa rotatividade, em clara ociosidade; a estratégia dos patrões para manterem suas taxas médias de lucros é combinada: exigem mais garantias e salvaguardas por parte do Estado, ao fim "empresas nacionais devem ser protegidas" e; em seguida, e é claro, as demissões acontecem sem parar.

Os regulacionistas franceses identificaram, ainda nos anos de 1970, as crises que se avolumavam em função da rotatividade irregular, não-linear e abertamente arriscada do fordismo; aliás, a palavra 'risco' surge como vernáculo técnico e corriqueiro utilizado pelo planeta; do Manoel da venda até aos mais bem-sucedidos banqueiros de Wall Street para explicar as crônicas flutuações do capitalismo e suas operações e "inovações" a partir do império das grandes curvas descendentes de investimentos.

O 'standard' sócioprodutivo com base nos tempos, na estética, na espacialidade e no modelo de Henry Ford sempre foi, além de trágico moedor de gente, gerador de doenças físicas e psico-sociais incuráveis; por sinal, recordemos que doenças de fundo nervoso como as atuais e oceânicas depressões, a ansiedade como exercício cotidiano de autodestruição, a gastrite ou as eternas insonias, doenças respiratórias e patologias afins; são males atualizados, re-feitos e massificados no pleno exercício do fordismo. São, enfim, doenças do trabalho, doenças fordistas.

Evidentemente, nada que se compare com a quantidade de acidentes de trabalho e que acontece, este sim, em série, em produção fabril, em quantidades exponenciais e absolutamente fora de controle. Não tem CIPA, SIPAT ou Comissões de Segurança que deem conta! Na extração da borracha, na colheita do trigo, no plantio da semente, no afiamento dos instrumentos de trabalho, no trabalho infantil, na troca da lâmpada ou no controle da máquina... Não há trabalho, produção sem sua anti-produção; seus riscos e suas vias de fato.

É um genocídio com e a partir do mundo do trabalho. O Brasil, por sinal, registra em média e anualmente, setecentos mil casos de acidentes de trabalho. É o quarto país do mundo sofrendo dessa pandemia vergonhosa. Perde para China (é claro!), Índia e Indonésia. Dados do Anuário Estatístico da Previdência Social (Lembram da Previdência?) contam que somente para o ano da graça de 2015, aconteceram 612,6 mil acidentes. Destes 2.500 redundaram na morte de trabalhadores. O sudeste 'maravilha' é o campeão no abate desses homens do trabalho com 53,9% dos registros.

O Anuário Estatístico de 2013 é uma pérola! Bem mais incisivo e interessante nos mostra, dado a dado, que a série histórica de 2007 a 2013, registra mais de cinco milhões de acidentes de trabalho. Esse massacre redundou em quase vinte mil mortes. Uau!

É assim... Se você estiver trabalhando em alguma missão da ONU n'algum acampamento de refugiados na Síria, no Afeganistão ou no Iraque; se você for para o morro mais beligerante do Rio de Janeiro ou se estiver como voluntário desarmando minas nas áreas rurais da Colômbia... Creia, esses lugares serão bem mais seguros para você do que no trabalho em fábricas e comércios brasileiros. E eu não estou citando nada a respeito da trágica reforma trabalhista imposta por Temer e de seus impactos na imediata saúde do trabalhador. Ainda querem dar fim para a Justiça do Trabalho? Pode isso, Arnaldo?

A grande quantidade de suicídios que acontece nos ambientes de trabalho ou fora dele, a desagregação familiar, a devastação das individualidades, a captura da subjetividade das pessoas ou o extermínio da vida social, prosaica, leve, harmônica é um dos mais dramáticos saldos que o fordismo lega para uma civilização arrasada, deprimida e que tem sérias desconfianças de identificar se, de fato, está viva.

Finalmente, o fordismo fora um grande produtor de 'defícits' humanos, tecnológicos e administrativos de tal feita, que ainda hoje é impossível identificar os rombos, sobretudo ambientais, causados pelo fordismo globalizado-liberal-público-privado a espécie humana.

 

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