Como ocorre em todas as guerras, a guerra brasileira precisa de uma trégua de Natal.
É necessário que se deponha armas onde quer que elas estejam, apontadas para quem estejam.
É necessário parar esse trem sem maquinista e sem freios.
Enquanto Legislativo, Executivo e Judiciário continuarem jogando pedras uns nos outros não haverá como reverter a debacle econômica.
A prioridade é essa e não deve ser tarefa somente do governo.
Mas também do governo.
Tal como já recuou tantas vezes, a última hoje mesmo, ao finalmente decidir comparecer ao velório da Chapecoense, Temer poderia iniciar o processo de trégua retirando da pauta a PEC dos Gastos Públicos.
E a insana reforma do Ensino Médio.
E a reforma da Previdência.
Sergio Moro deveria se comprometer a, daqui em diante, baixar a bola da Lava Jato, o que não significa interromper as investigações, e sim mantê-las sigilosas, à prova de vazamentos, a fim de evitar o risco de expor à execração pública pessoas que depois de julgadas se revelam inocentes.
Os procuradores da Lava Jato têm que comunicar, em coletiva, que não vão mais perseguir Lula.
O povo não tem que ir para a rua como está programado para amanhã, colocar mais lenha na fogueira. Na qual eles mesmos e todos os brasileiros poderão se queimar.
Não podemos ficar à espera de que Meirelles faça alguma mágica, pois não é a sua especialidade, nem permitir que a crise perdure indefinidamente, sem prazo para terminar.
Somente durante a trégua será possível as forças políticas esfriarem a cabeça e traçarem caminhos acima de governo e acima dos partidos.
Mas nunca acima dos políticos.
A crise foi criada e tem que ser resolvida pelos políticos.
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