BNDES amplia ProFloresta+ e lança maior leilão de créditos de carbono de restauração florestal do Brasil 

Nova etapa da iniciativa pretende restaurar até 60 mil hectares, capturar 19 milhões de toneladas de CO₂ e mobilizar até R$ 6 bilhões

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247 –  O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (2) a segunda fase do ProFloresta+, programa voltado à expansão da restauração ecológica no Brasil por meio da geração e comercialização de créditos de carbono. Nesta nova etapa, o banco abriu o período de manifestação de interesse para empresas que desejam adquirir créditos de carbono, estruturando o que deve se tornar o maior leilão de compra de créditos de carbono oriundos de restauração florestal já realizado no país.

Segundo o banco, a iniciativa poderá restaurar até 60 mil hectares de áreas degradadas, remover aproximadamente 19 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e movimentar até R$ 6 bilhões na aquisição de créditos de carbono.

O anúncio ocorreu durante o evento Brasil Mais Verde: 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes do governo federal, do setor privado e especialistas para debater temas ligados à economia de baixo carbono, como restauração florestal, agricultura regenerativa, bioinsumos, minerais estratégicos, armazenamento de energia, baterias, transporte sustentável e biocombustíveis.

Nesta nova fase, o BNDES pretende ampliar o modelo adotado anteriormente. Enquanto a primeira edição do ProFloresta+ contou apenas com a Petrobras como compradora âncora dos créditos de carbono, agora a proposta é reunir empresas de diferentes segmentos econômicos, formando uma demanda permanente capaz de impulsionar projetos de restauração em todos os biomas brasileiros.

Além de organizar a manifestação de interesse das empresas compradoras, o banco será responsável por estruturar contratos padronizados e conduzir um processo competitivo para selecionar os projetos de restauração que fornecerão os créditos de carbono. Os empreendimentos vencedores também poderão obter financiamento de longo prazo, especialmente por meio da linha Fundo Clima – Florestas Nativas, destinada a apoiar a execução dos projetos.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a iniciativa representa um novo passo na consolidação do mercado brasileiro de carbono voltado à restauração ambiental.

“Na primeira fase mostramos que o modelo funciona. Agora damos um passo além: estamos criando um mercado organizado de compra de créditos de carbono de restauração, reunindo empresas interessadas, estruturando contratos de alta integridade e financiando projetos capazes de recuperar áreas degradadas em todos os biomas brasileiros”, afirmou.

As empresas interessadas em participar deverão demonstrar demanda mínima equivalente a 1 milhão de créditos de carbono, volume correspondente à remoção de 1 milhão de toneladas de CO₂ da atmosfera. A expectativa do banco é realizar o leilão ainda em 2026.

Resultados da primeira fase

O ProFloresta+ foi lançado em 2025 pelo BNDES em parceria com a Petrobras. A primeira etapa concentrou-se na compra de até 5 milhões de créditos de carbono provenientes de projetos de restauração na Amazônia.

Na semana passada, o banco anunciou as empresas vencedoras da seleção: Systemica, brCarbon e re.green. Os projetos selecionados deverão restaurar até 15 mil hectares, mobilizar aproximadamente R$ 450 milhões em investimentos para plantio e gerar cerca de R$ 1,5 bilhão em operações de compra de créditos de carbono.

Com a ampliação da iniciativa, o objetivo passa a abranger todos os biomas brasileiros, elevando significativamente o potencial de recuperação ambiental e de desenvolvimento do mercado nacional de créditos de carbono.

Modelo busca conectar compradores e projetos de restauração

O ProFloresta+ funciona como uma plataforma estruturada pelo BNDES para aproximar empresas interessadas em adquirir créditos de carbono de desenvolvedores de projetos de restauração ecológica.

Após a manifestação da demanda por parte dos compradores, os projetos são apresentados e avaliados conforme critérios técnicos, ambientais e de integridade. Os selecionados firmam contratos para fornecimento dos créditos e podem recorrer às linhas de financiamento do banco para executar a restauração.

Os projetos elegíveis devem utilizar espécies nativas e atender a requisitos relacionados à qualidade ambiental, diversidade biológica, monitoramento e certificação compatíveis com padrões reconhecidos internacionalmente no mercado de carbono.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a proposta fortalece toda a cadeia da restauração ecológica.

“Estamos construindo uma solução que beneficia toda a cadeia da restauração. As empresas passam a contar com um processo transparente para adquirir créditos de carbono de alta integridade, enquanto os desenvolvedores ganham previsibilidade de demanda e melhores condições para financiar seus projetos. Esse modelo pode acelerar a recuperação de áreas degradadas em todo o país”, afirmou.

Estratégia florestal já mobilizou R$ 14,1 bilhões

O ProFloresta+ integra a estratégia BNDES Florestas, programa criado para ampliar investimentos em restauração ecológica, conservação ambiental, bioeconomia florestal e geração de ativos ambientais.

De acordo com o banco, a estratégia já mobilizou R$ 14,1 bilhões em operações de crédito, investimentos e recursos não reembolsáveis destinados à economia florestal brasileira. As iniciativas apoiadas têm potencial para viabilizar o plantio de 342 milhões de árvores, gerar cerca de 86 mil empregos verdes e remover aproximadamente 66 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.

Entre os programas que compõem essa estratégia estão o Floresta Viva, o Arco da Restauração, o BNDES Florestas Crédito, projetos de concessões florestais, investimentos em fundos e mecanismos inovadores de mercado, como o próprio ProFloresta+, que busca transformar a restauração ecológica em uma atividade econômica de grande escala no Brasil.

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