247 – O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou nesta quinta-feira (2), pela rede social X, o documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). No texto, parlamentar da extrema direita defendeu mais abertura do governo brasileiro para empresas estrangeiras na operação de cartões de crédito, manifestou posição favorável para acordos fora do Mercosul e pediu que o Pix fique de fora dos sistemas de pagamentos do BRICS – a instituição sediada na China é uma das principais frentes de resistência à hegemonia dos EUA na política internacional.
Em postagem na rede social X, Boulos afirmou que o parlamentar da extrema direita brasileira estaria preso se fosse senador dos EUA e atuasse fora do território estadunidense com o objetivo de pedir sanções à Casa Branca.
“Tradução da fala de Flávio Bolsonaro: ‘Quero submeter o Brasil aos EUA e acabar com o Pix para aliviar Visa/Mastercard’. Se ele fosse senador lá nos EUA já teria sido cassado e preso por alta traição! O povo brasileiro saberá responder a este sabujo nas urnas em outubro!”, escreveu Boulos.
No começo do mês passado, os EUA já haviam defendido um tarifaço de 25% sobre parte das exportações brasileiras enviadas ao território estadunidense. Mesmo sem provas, o governo Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, acusou o Brasil de práticas desleais no comércio e fez críticas ao Pix.
Os EUA também classificaram como terroristas duas facções criminosas brasileiras: Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A medida entrou em vigor em 5 de junho.
A guerra comercial e a classificação de terrorismo estimulam sanções contra o Brasil. O motivo das decisões dos EUA que prejudicam o país sul-americano são condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal em inquéritos sobre tentativas de golpe. O STF condenou 29 pessoas na investigação da trama golpista; Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão.
BRICS e o Pix
Mencionado por Flávio Bolsonaro, o BRICS representa 37% da economia mundial, segundo o Fórum Econômico Mundial, além de responder por 26% do comércio internacional, conforme dados da Organização Mundial do Comércio.
O grupo também corresponde a mais de 40% da população mundial. Estatísticas divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia apontam que os BRICS detêm 44% das reservas globais de petróleo e 53% das reservas de gás natural, além de responderem por 43% da produção mundial de óleo e 35% da produção de gás.
Quanto ao Pix, lançado pelo Banco Central brasileiro, o sistema de pagamento movimentou 30,1 bilhões de transações em 2025, alta de 20% sobre o ano anterior, e reforçou sua posição como principal meio de pagamento nos canais digitais. A informação consta da nova Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada em 26 de junho.
O total de operações via Pix foi quase três vezes maior que o volume de pagamentos de contas, que chegou a 9,9 bilhões no mesmo período. Esse tipo de transação também cresceu de forma acelerada, com avanço de 99% frente a 2024.
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