“Idiota”, dispara Simone Tebet após fala misógina de Paulo Figueiredo

Pré-candidata ao Senado por São Paulo reagiu a declaração de Paulo Figueiredo de que mulheres “votam mal” e cobrou reação masculina

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247 – A ex-ministra e pré-candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) reagiu duramente à fala misógina de Paulo Figueiredo, blogueiro bolsonarista aliado de Eduardo Bolsonaro e próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou que mulheres “votam mal”. Em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (2), Tebet classificou a declaração como “gravíssima” e disse que o episódio acende um “sinal vermelho” para a democracia.

A manifestação de Simone Tebet ocorreu após a repercussão de declarações feitas por Paulo Figueiredo no podcast “Paulo Figueiredo Show”, na quinta-feira (25), em meio a críticas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Na transmissão, Figueiredo afirmou: “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras, as casadas costumam acompanhar o marido”.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Tebet afirmou ter sido cobrada a se posicionar sobre o caso e abriu sua fala com forte crítica ao blogueiro. “Está todo mundo questionando e pedindo para que eu fale sobre esse vídeo asqueroso desse – não tem outro termo, né? – idiota, que é o braço direito do candidato à Presidência da República do lado de lá, a respeito do papel das mulheres na sociedade”, declarou.

A ex-ministra disse que a declaração de Paulo Figueiredo não pode ser tratada como um episódio isolado ou de menor gravidade. Para Tebet, a fala se insere em um movimento político que tenta reduzir a participação das mulheres na vida pública e no processo democrático. “Deixa eu dizer uma coisa para vocês. Isso não é grave, é gravíssimo. Não tem um sinalzinho amarelo levantado. Tem um sinal vermelho gritando”, afirmou.

Segundo Tebet, a afirmação de que mulheres não saberiam votar revela uma tentativa de importar para o Brasil uma visão conservadora radical sobre família, poder político e democracia. A pré-candidata relacionou a fala ao avanço de setores da extrema direita nos Estados Unidos.

“Olha a gravidade do assunto: quando ele diz que mulher não sabe votar, o que ele quer é trazer o modelo que está crescendo nos Estados Unidos, da extrema direita, de que quem tem que votar numa democracia é uma pessoa só, que é o chefe de família, que é a figura do marido”, disse.

Na avaliação da ex-ministra, o ataque ao voto feminino carrega uma mensagem de inferiorização das mulheres, apesar da longa trajetória de luta por direitos civis, políticos e sociais. Tebet lembrou que ocupou espaços pioneiros ao longo da carreira pública e afirmou que esse histórico demonstra a dificuldade de romper barreiras de gênero na política brasileira.

“O que ele está querendo dizer para nós, mulheres, que levamos tanto tempo e ainda não temos os mesmos direitos que os homens, é que nós somos inferiores. Me dói muito dizer que eu tive várias ‘primeiras vezes’ na minha vida. Fui a primeira mulher prefeita, a primeira vice-governadora, a primeira presidenta da comissão mais importante do Congresso Nacional, a primeira, em 200 anos de história, a ser candidata à presidência do Senado, a primeira do meu partido a ser candidata à Presidência da República, entre outras tantas ‘primeiras vezes’. Isso mostra o quanto é difícil furar essa bolha”, declarou.

Simone Tebet também afirmou que a fala de Figueiredo expressa uma tentativa de empurrar as mulheres de volta ao espaço doméstico, mas ressaltou que permanecer em casa deve ser uma escolha individual, e não uma imposição social ou política. “Estão querendo que a gente volte para dentro de casa. Voltar para dentro de casa é uma opção da mulher, das mais nobres: ser mãe, dona de casa”, afirmou.

A ex-ministra disse ainda que o episódio reforça sua disposição de atuar por São Paulo, pelo Brasil e pelos direitos das mulheres. Ela também convocou os homens a reagirem contra a misoginia e a defenderem a igualdade de participação entre homens e mulheres na democracia.

“Fica aqui a minha indignação, o meu repúdio e a minha vontade, ainda mais, de trabalhar por São Paulo, de trabalhar pelo Brasil, de trabalhar pelas mulheres, pelo povo brasileiro. Mas convocando vocês, homens. 95% dos homens brasileiros não pensam assim. Juntem-se a nós”, disse Tebet.

Ao encerrar a manifestação, a pré-candidata defendeu que a resposta a esse tipo de discurso ocorra também no processo eleitoral. “Vão dizer vocês, agora e nas urnas, que lugar de mulher é onde ela quiser. Que, numa democracia, homem e mulher trabalham juntos. E, juntos, vamos realizar o Brasil dos nossos sonhos. Juntos, vamos cuidar da nossa família, do nosso estado e do nosso amado Brasil”, afirmou.

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