Lula ressalta importância de obras estruturais no Nordeste: ‘já foi muito mal tratado’

Em Quixeramobim, presidente associou ferrovia, transposição do São Francisco, educação e saúde a uma agenda de reparação regional

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2), em Quixeramobim, no Ceará, que obras estruturantes como a Ferrovia Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco representam uma resposta histórica ao tratamento desigual dado ao Nordeste. A agenda reuniu Lula, ministros e autoridades locais para entregas e anúncios ligados à ferrovia, considerada a maior obra de infraestrutura linear em andamento no país.

Em discurso, Lula disse ter feito questão de visitar o Ceará e o Rio Grande do Norte para acompanhar duas obras que, segundo ele, simbolizam uma mudança na relação do Estado brasileiro com a região. “Hoje é um daqueles dias especiais. Eu fiz questão de vir ao Ceará visitar essa Transnordestina, da mesma forma que eu fiz questão de ir ao Rio Grande do Norte visitar a última etapa da transposição do São Francisco”, afirmou.

O presidente vinculou a realização desses empreendimentos a uma dívida histórica. “Historicamente, o Nordeste sempre foi tratado com muito desprezo pelas pessoas que governaram esse país”, declarou. Ele citou indicadores sociais que por décadas associaram a região a índices elevados de analfabetismo, desnutrição e menor presença de mestres, doutores e professores universitários.

Ao tratar da convivência com o semiárido, Lula afirmou que a seca é um fenômeno natural, mas a fome decorrente dela é responsabilidade política. “A fome, por causa da seca, não é mais um fenômeno natural, é um fenômeno de irresponsabilidade de quem governa esse país”, disse. O presidente também defendeu que o Rio São Francisco é patrimônio nacional e afirmou que sua água deve servir ao povo brasileiro.

Lula classificou a transposição do São Francisco como uma das principais obras hídricas do mundo e disse que só ficará plenamente satisfeito quando o Cinturão das Águas, no Ceará, estiver concluído. Segundo ele, os governos estaduais também precisam garantir que a água chegue às torneiras, aos reservatórios e à produção agrícola.

Sobre a Transnordestina, o presidente afirmou que a ferrovia é vital para o desenvolvimento do Nordeste e poderá estimular novas conexões em outros estados. “Se isso aqui der certo, vai ter um pedacinho para todo mundo”, disse.

Lula também relacionou infraestrutura, agricultura familiar, educação e saúde. Defendeu investimentos em escolas, universidades e institutos federais, citou o Pé-de-Meia como política de combate à evasão escolar e afirmou que “investir na educação não é gasto”. Na saúde, destacou o programa Agora Tem Especialistas, a ampliação do acesso à radioterapia, exames e tratamento oncológico. O presidente encerrou dizendo que, após as restrições eleitorais, poderá visitar obras, mas não inaugurá-las oficialmente.

Com 1.206 quilômetros previstos, a Transnordestina ligará Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, atravessando 53 municípios nordestinos. A ferrovia foi concebida para reduzir custos logísticos, ampliar o escoamento da produção e facilitar o transporte de grãos, fertilizantes, combustíveis, cimento e minério até mercados consumidores e portos de exportação.

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