247 – A aproximação das eleições tem intensificado os sinais de alinhamento político no Congresso Nacional, e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), avalia que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fortalecer sua própria tentativa de reeleição como deputado na Paraíba.
A avaliação foi feita em entrevista ao jornal O Globo, na qual Uczai destacou que o cenário político local favorece Lula e pode influenciar diretamente as estratégias eleitorais de Motta. Segundo o parlamentar, “se ele quer se reeleger, é bom fazer campanha para o Lula mesmo. A Paraíba é muito forte com o presidente Lula. É remar a favor da maré”.
De acordo com Uczai, Hugo Motta já tem demonstrado sintonia com o Palácio do Planalto ao priorizar pautas de interesse do governo na Câmara, como a discussão sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 e a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos. Esse alinhamento, segundo ele, tende a se tornar mais explícito ao longo do processo eleitoral, ainda que o presidente da Câmara precise manter certa independência institucional.
“Ele precisa manter essa independência, até pelo papel institucional. Mas é um movimento político que está colocado. Ele está num estado muito lulista”, afirmou o líder petista.
A movimentação política também envolve negociações locais. Motta busca apoio do PT para a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, prefeito de Patos, ao Senado. No entanto, o partido também avalia uma possível aliança com o senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), que tentará a reeleição.
Uczai também comentou o cenário nacional e a reorganização da direita, minimizando impactos sobre a disputa presidencial. “Eu acredito que não. Ter na democracia outras alternativas para a sociedade debater e discutir é importante. Não temos que escolher adversário, temos que mostrar o que fizemos”, declarou.
O deputado defendeu que a campanha do PT deve focar na comparação entre os governos e na valorização das políticas públicas. “O que vai definir a eleição do presidente Lula não é quem vai disputar com ele, é conseguir mostrar o que foi feito, comparar com a herança do governo anterior em todas as áreas”, disse.
Segundo ele, o partido pretende estruturar o debate eleitoral em três eixos principais: “Entre barbárie e civilização, a gente tem que defender uma sociedade civilizada; entre democracia e autoritarismo, tem que defender a democracia; e o terceiro ponto é um projeto de país”.
Uczai também indicou que o partido pretende intensificar o enfrentamento à extrema direita e ampliar a comunicação com a população sobre temas concretos. “Nós não temos receio nenhum de fazer o debate que mexe com as pessoas, como de Imposto de Renda, como das políticas sociais”, afirmou.
Ao comentar o crescimento político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o parlamentar reconheceu a necessidade de reação mais rápida do partido. “Eu acho que nós já deviamos ter começado a desconstruir o Flávio Bolsonaro”, disse, acrescentando que o enfrentamento deve ser conduzido principalmente pela bancada do PT no Congresso.
Sobre eventuais desgastes envolvendo investigações e denúncias, Uczai afirmou que há preocupação natural, mas destacou que os casos têm origem em gestões anteriores. “Sempre é possível desgaste porque é governo. Mesmo que não tenha ninguém envolvido, está no ambiente do governo atual”, declarou.
No campo legislativo, o líder petista apontou como prioridades a redução da jornada de trabalho, a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos e o avanço de políticas de segurança pública. Ele também defendeu a criação de novas estruturas no Ministério da Justiça voltadas ao combate ao crime organizado e à violência contra as mulheres.
Por fim, ao analisar o cenário eleitoral mais amplo, Uczai avaliou que candidaturas da direita podem fragmentar esse campo político, enquanto o centro tende a se aproximar de Lula, especialmente em um eventual segundo turno.
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