247 – O jurista e filósofo Alysson Leandro Mascaro afirmou, em entrevista à TV 247, que o Brasil vive um momento decisivo diante do que chamou de “hiperimperialismo” dos Estados Unidos e da ofensiva da extrema direita na América Latina.
Segundo Mascaro, a ascensão da China e a crise política dos Estados Unidos ajudam a explicar a intensificação das pressões sobre o Brasil. Para ele, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, é “o sintoma” de uma decadência profunda do sistema político estadunidense.
“Donald Trump é o sintoma de uma leva a sua dinâmica ao estertor da própria vida política desse país”, afirmou.
China, soberania e revolução cultural
Mascaro destacou o aniversário de 105 anos do Partido Comunista da China como uma experiência histórica central para compreender a luta contra o imperialismo. Segundo ele, a China não se tornou uma potência apenas por sua população ou dimensão territorial, mas por ter realizado uma revolução capaz de reorganizar a soberania nacional.
“A China teve essencialmente, fundamentalmente, uma revolução que organizou a soberania do próprio povo chinês, que criou um exército popular”, disse.
Para o jurista, a Revolução Cultural chinesa foi uma das experiências mais relevantes e mais demonizadas do século XX.
“Eventualmente não haja experiência mais magnífica da segunda metade do século XX até aqui e experiência mais demonizada no mundo do que a revolução cultural”, afirmou.
Estados Unidos, Trump e crise moral
Ao analisar os Estados Unidos, Mascaro criticou a ideia de “excepcionalidade estadunidense” e associou o imperialismo do país a uma cultura política marcada por individualismo, religião e dominação.
“Esse imperialismo é de fato muito nocivo moralmente”, disse.
Ele também comentou as denúncias envolvendo ganhos bilionários de Trump com criptomoedas, tema abordado por Leonardo Attuch durante a entrevista.
“Esse 1 bilhão de criptomoeda não é a única corrupção do Donald Trump. O que ele fez com especulação do petróleo na guerra do Irã leva não sei quantos mais milhões ou bilhões”, afirmou Mascaro.
Hiperimperialismo e América Latina
Mascaro afirmou que os Estados Unidos adotaram uma nova fase de agressividade sobre a América Latina, que ele definiu como “hiperimperialismo”.
“O imperialismo estadunidense toma no atual momento uma característica de hiperimperialismo, como se uma desgraça pudesse ser ainda mais desgraçada”, declarou.
Segundo ele, a disputa no Brasil terá forte componente ideológico e digital, com uso combinado da mídia tradicional e das redes sociais.
“Nós vamos ver uma espécie de hiperatividade ou hiperinflação ideológica no Brasil”, disse.
Mascaro alertou ainda para o risco de interferência nas redes sociais durante o processo eleitoral.
“Haverá uma intervenção maciça dos Estados Unidos na eleição nos últimos dias”, afirmou.
Redes sociais e soberania tecnológica
O jurista defendeu que o Brasil deveria ter desenvolvido plataformas próprias para reduzir a dependência de empresas estrangeiras.
“Nós temos o Pix, nós seríamos capazes de ter uma plataforma, um WhatsApp nosso, não é coisa de outro mundo”, disse.
Para ele, a ausência de soberania tecnológica deixa o país vulnerável à manipulação algorítmica.
“Eu tenho medo de que as forças progressistas do Brasil estejam desapetrechadas, estejam desamparadas de recursos e ferramentas tecnológicas para lutar contra isso”, afirmou.
Lula e a batalha das ideias
Ao tratar de um eventual quarto mandato do presidente Lula, Mascaro avaliou que o petista poderia consolidar direitos sociais e deixar uma marca histórica mais profunda.
“O governo Lula, num quarto mandato, o que que Lula gostaria de deixar para a história?”, questionou.
Segundo ele, Lula não tem perfil de ruptura socialista, mas pode construir um legado ligado à proteção social.
“Quem sabe o governo Lula no quarto mandato dá alguns, consolida alguns direitos sociais, pavimenta um pouco melhor o SUS, algumas contribuições ao mundo do trabalho”, disse.
Mascaro defendeu que o Brasil precisa de uma marca histórica capaz de permanecer na memória popular.
“Que o povo diga daqui 100 anos, no tempo do presidente Lula, nós ganhamos X, nós conseguimos Y”, afirmou.
Socialismo como compartilhamento
Na parte final da entrevista, Mascaro fez uma defesa enfática da solidariedade social e da batalha ideológica contra a direita.
“Ser de direita é uma vergonha”, afirmou.
Ele também associou socialismo e comunismo à ideia de compartilhamento.
“Esta palavra compartilhar se chama socialismo, se chama comunismo. Esta é a batalha das ideias”, disse.
Para Mascaro, o Brasil não pode naturalizar a fome, a exploração e a desigualdade.
“Um país como o Brasil é um país que não pode ter uma população passando fome. É um país que não pode ter uma população explorada”, concluiu.
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