Fazenda deve elevar projeção para inflação em 2026 diante de El Niño mais forte

Débora Freire afirma que fenômeno climático cria viés de alta nos preços, mas nova estimativa deve ficar abaixo da previsão do mercado

Ministério da Fazenda
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247 – O Ministério da Fazenda deve revisar para cima sua projeção oficial para a inflação em 2026, atualmente estimada em 4,5%, diante da consolidação de um cenário de El Niño mais forte e de outros fatores de pressão sobre os preços. A informação foi publicada pela Reuters, a partir de entrevista da secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, ao portal Jota.

Segundo Débora Freire, o governo passou a ter mais clareza de que o fenômeno climático “vem forte”, o que pode reduzir o arrefecimento inflacionário esperado para o segundo semestre. “A gente já esperava um El Niño mais agressivo, mas agora esse cenário está se consolidando de forma mais robusta. Então, devido a isso, a gente entende que há um risco, há um vetor altista para a inflação neste ano”, afirmou.

A nova estimativa oficial, que será divulgada ainda neste mês, deve superar o teto da meta de inflação do Banco Central, de 4,5%. Ainda assim, de acordo com a secretária, a projeção do Ministério da Fazenda deve ficar abaixo da expectativa do mercado financeiro, que prevê inflação de 5,33% em 2026, segundo o boletim Focus do Banco Central.

Além da inflação, a equipe econômica também avalia os dados de atividade. Débora Freire afirmou que, até o momento, há estabilidade em relação à projeção feita em maio para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que indicava alta de 2,3% neste ano. Ela ponderou, no entanto, que os números ainda estão em análise e podem passar por ajustes antes da divulgação oficial.

A secretária também alertou para os efeitos do cenário internacional sobre a economia brasileira. A elevação dos juros em economias avançadas, segundo ela, cria um ambiente mais desafiador para o crescimento do Brasil em 2027. Além disso, uma expectativa de taxa Selic mais alta do que a prevista anteriormente pode afetar o ritmo da atividade econômica.

Na área fiscal, Débora Freire defendeu que o novo arcabouço fiscal vem cumprindo o papel de promover uma consolidação gradual das contas públicas. “Nossa expectativa é que o arcabouço fiscal faça a convergência da dívida pública no médio prazo, não no próximo ano”, afirmou.

Ela reconheceu, porém, que o governo ainda enfrenta desafios relevantes. Entre eles estão a necessidade de conter o crescimento das despesas obrigatórias dentro do limite de alta real de 2,5% ao ano previsto pelo arcabouço fiscal e a ampliação da formalização dos trabalhadores, medida que poderia elevar as contribuições previdenciárias e melhorar a arrecadação.

A revisão da projeção de inflação ocorre em um momento em que o governo busca equilibrar três objetivos centrais: preservar o crescimento econômico, manter a trajetória de responsabilidade fiscal e evitar que pressões climáticas e financeiras comprometam o poder de compra da população.

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