Itaú lança o site “Factópoles” para contestar reportagens do Metrópoles

Instituição contesta série de reportagens sobre cobranças de seguro, cobra direito de resposta e divulga sua versão em plataforma própria

Itaú
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247 – O Itaú Unibanco notificou extrajudicialmente o portal Metrópoles e lançou uma página na internet chamada “Factópoles” para apresentar sua versão sobre uma série de reportagens que, segundo a instituição financeira, divulgaram informações incorretas a respeito de uma cobrança de seguro contestada por clientes. As informações são da colunista Mariana Barbosa, do UOL.

De acordo com o banco, a notificação solicita correções e direito de resposta com a mesma visibilidade dada às reportagens e publicações nas redes sociais que o acusam de causar prejuízos bilionários a clientes por meio de cobranças indevidas de seguro. Segundo o Itaú, entre abril e maio, foram publicadas dezenas de conteúdos sobre o tema sem que sua posição tivesse espaço compatível nas reportagens.

“Em um intervalo de 70 dias, foram publicadas 42 matérias e cerca de 50 posts em redes sociais com informações deturpadas e sem o espaço de resposta condizente com a prática jornalística”, afirma o banco na apresentação do site “Factópoles”.

Segundo a apuração, a principal motivação para a sequência de publicações do Metrópoles contra o Itaú seria uma reportagem que a revista Piauí estaria preparando sobre o portal e seu proprietário, o empresário e ex-senador Luiz Estevão.

A revista Piauí foi criada em 2006 pelo documentarista João Moreira Salles. A família do cineasta tornou-se sócia do Itaú em 2008, com a aquisição do Unibanco, banco fundado por Walther Moreira Salles, pai de João. Em 2021, João deixou as funções de publisher e financiador da revista, que passou a ser mantida por um fundo patrimonial do Instituto Artigo 220.

Cobrança de seguro

Grande parte das reportagens do Metrópoles trata de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Itaú, em dezembro do ano passado, com o Ministério Público de Minas Gerais e o Instituto de Defesa do Consumidor. O acordo encerrou uma ação civil pública relacionada a cobranças de seguro não reconhecidas por clientes.

Na notificação encaminhada ao portal, o Itaú informa que o Ministério Público identificou 31.024 reclamações de consumidores em todo o país relacionadas ao desconto do seguro. Segundo o banco, os valores efetivamente descontados somam cerca de R$ 4 milhões ao longo de 14 anos, chegando a menos de R$ 11 milhões após atualização monetária.

O banco contesta reportagens do Metrópoles que projetaram prejuízos de R$ 16 bilhões ou R$ 33,6 bilhões, calculados com base em uma estimativa envolvendo todos os clientes da instituição no período.

Contestação do banco

Na notificação extrajudicial, o Itaú sustenta que os valores de R$ 16 bilhões e R$ 33,6 bilhões “não constam do acordo, não foram apurados, auditados, homologados ou reconhecidos, tampouco decorrem de qualquer liquidação individualizada”.

O banco também afirma que a informação de que o Banco Central teria reconhecido a ilegalidade das cobranças é “factualmente incorreta e juridicamente insustentável”.

Ainda segundo a instituição financeira, expressões utilizadas nas reportagens para caracterizar sua conduta “extrapolam a adjetivação opinativa” e “atribuem ao Itaú Unibanco, de forma leviana, a prática de crimes”.

O Itaú também argumenta que a assinatura do TAC não representou reconhecimento ou confissão de irregularidades, contestando a interpretação atribuída às reportagens do Metrópoles.

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