247 – Após a celebração da vitória no Festival de Parintins deste ano, o Boi Garantido abriu as portas de sua Associação Folclórica para receber o projeto “Do Festival ao Futuro: Parintins Criativo”, uma iniciativa do Sebrae que pretende transformar o talento dos artistas locais em novas oportunidades de mercado. A ação tem o objetivo de impulsionar a economia criativa do município amazonense, estendendo o potencial artístico e empreendedor dos profissionais para além da arena dos bois-bumbá. Assim como o Boi Caprichoso, que recebeu a primeira oficina, o Garantido aderiu à proposta e reuniu seus artistas para um novo ciclo de aprendizado e inovação.
A atividade contou com a condução do designer Sérgio Matos, referência nacional e internacional no design de produto com identidade brasileira. Ele estimulou os participantes — artistas plásticos, figurinistas, costureiras e empreendedores — a refletirem sobre o próprio trabalho e experimentarem novas possibilidades de criação. “O despertar acontece quando visitamos o galpão do Boi e eles conseguem transmutar o que já faz parte do cotidiano deles e imaginar outras possibilidades de criação diante de tantas cores, formas e materiais”, afirmou Matos. Durante a oficina, o grupo produziu peças de teste que servirão de base para uma coleção comercial a ser lançada no próximo ano.
O membro da comissão de artes do Garantido, Alder Oliveira, destacou que o projeto representa “um momento de autocrítica para que os artistas possam evoluir” e ampliar sua visão de futuro. “É bom para os dois lados porque permite que o artista tenha uma visão mais ampla do seu trabalho e não tenha medo de fazer diferente. Para o Boi, com certeza, no ano que vem, esse grupo já vai aproveitar muitos dos materiais que seriam descartados para novas criações”, afirmou. Já a analista do Sebrae Nacional, Giselle de Oliveira, explicou que a metodologia busca fortalecer o ecossistema criativo e poderá ser replicada em outros estados com grandes festivais culturais. “Após esse mergulho na cultura e na tradição local, a ideia é que os produtos criados sejam a cara da cultura de Parintins”, completou.
Para Lilian Simões, analista do Sebrae Amazonas e coordenadora do projeto na região, a Ilha da Magia “pulsa criatividade e inovação” e tem potencial para expandir ainda mais a economia local. Ela adiantou que as próximas etapas incluirão capacitações em gestão, design e acesso a mercados. “Haverá um momento em que eles vão ter oportunidade de se apresentar para se conectar com o mercado”, afirmou.
Entre os participantes, o artista plástico Afonso Filho, de 60 anos, que há três décadas atua no Boi Garantido, destacou o impacto da experiência: “Foi uma experiência muito proveitosa de valorização do nosso trabalho e abriu a nossa mente para produzirmos coisas diferentes.” Durante a oficina, ele desenvolveu três peças, entre elas uma fruteira inspirada no jabuti, feita com cuia e resina. “Com ajuda do Sérgio, consegui criar uma peça com outras cores e sair do convencional”, contou.
A artesã e produtora de biojóias Regiane Lima também celebrou o aprendizado adquirido. “Apesar de conhecermos várias técnicas e saber como fazer, nos falta esse olhar de mercado. Produzimos o ano inteiro para o Festival e nos faltava perceber que podemos ir além”, disse. Regiane criou uma coleção de bolsas chamada Aramã — palavra tupi que significa “realeza” — inspirada em animais amazônicos como a onça-pintada, a sucuri e o gavião-real. A coleção será apresentada na próxima fase do projeto. “Tivemos apoio da equipe do Sérgio para desenvolver os desenhos técnicos e já vamos começar a produção”, completou.
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