Empreendedorismo impulsiona inclusão e autonomia financeira da população LGBT+ no Brasil

Pesquisa do Sebrae revela que 3,7 milhões de pessoas LGBT+ já empreendem ou atuam como autônomas, fortalecendo geração de renda e oportunidades no país

Pessoas participam da Parada do Orgulho LGBT+.
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247 – O empreendedorismo tem se consolidado como uma importante ferramenta de inclusão social e geração de renda para a população LGBT+ no Brasil. Dados divulgados pelo Sebrae, em pesquisa realizada em parceria com o Datafolha e publicada em 2025, mostram que cerca de 3,7 milhões de brasileiros LGBT+ possuem negócio próprio ou atuam como trabalhadores autônomos. O levantamento, considerado pioneiro, também aponta o potencial de crescimento desse segmento no ambiente empresarial.

Segundo a pesquisa, 24% das pessoas LGBT+ já empreendem ou trabalham por conta própria, enquanto outros 20% afirmam ter intenção de abrir um negócio nos próximos três anos. As informações foram divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias em referência ao Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado em 28 de junho.

O estudo evidencia que, para grande parte desse público, empreender vai além da busca por renda. A criação de um negócio próprio surge como alternativa para conquistar autonomia financeira, ampliar oportunidades e construir ambientes mais acolhedores diante das barreiras ainda encontradas no mercado formal de trabalho.

Para Márcio Borges, gestor nacional de Empreendedorismo LGBTQIA+ do Sebrae, os números demonstram a relevância econômica e o potencial transformador desse grupo.

“Estamos falando de milhões de brasileiros. É um público muito jovem, conectado e com enorme potencial de inovação. Não é apenas uma questão de quantidade, mas de diversidade, criatividade e capacidade de transformar o ambiente empreendedor brasileiro.”

Borges também destaca que o empreendedorismo tem se tornado uma alternativa para quem enfrenta dificuldades de inserção profissional.

“Para muitas pessoas LGBTQIA+, empreender não é apenas uma escolha de carreira. É uma estratégia de vida. O empreendedorismo acaba se tornando um caminho de autonomia, de construção de espaços mais seguros e de afirmação pessoal diante das dificuldades encontradas no mercado formal de trabalho”, ressalta.

Negócios construídos a partir da inclusão

A trajetória da empresária Letícia Amorim exemplifica esse movimento. Fundadora do Instituto Amorim de Estratégia Gastronômica, ela decidiu investir no próprio negócio após enfrentar episódios de homofobia e machismo durante sua atuação no setor de alimentação.

Segundo a empreendedora, a decisão de criar uma empresa esteve diretamente relacionada ao desejo de estabelecer relações profissionais baseadas no respeito e na colaboração.

“Percebi a necessidade de criar ambientes mais seguros e colaborativos. Hoje, a cultura de equipe é um dos pilares do meu trabalho porque acredito que respeito e inclusão também geram resultados e negócios mais saudáveis”, conta.

Um dos momentos decisivos para a consolidação do empreendimento ocorreu com sua participação no projeto Transcender, desenvolvido pelo Sebrae Rio. A iniciativa contribuiu para aprimorar aspectos ligados à gestão, planejamento estratégico e posicionamento de mercado.

“O Sebrae me ajudou a entender quem eu era como empreendedora. Descobri meu posicionamento como instituição de ensino e passei a enxergar oportunidades que antes pareciam apenas ideias soltas. Hoje tenho mais clareza, mais segurança e perspectivas concretas de crescimento”, destaca.

De acordo com Letícia, o acompanhamento especializado permitiu estruturar melhor os serviços oferecidos, fortalecer a gestão financeira e planejar a expansão das atividades para outros estados.

Inclusão digital e empreendedorismo para pessoas acima de 50 anos

Outra história marcada pela reinvenção profissional é a da educadora e empresária Luciene Giuliani, fundadora da SouSenior. A iniciativa é voltada para inclusão digital, letramento tecnológico e incentivo ao empreendedorismo entre pessoas com mais de 50 anos.

Após retornar do Pará para o Rio de Janeiro, Luciene enfrentou dificuldades para se recolocar profissionalmente, mesmo contando com mais de três décadas de experiência na área educacional e formação acadêmica de pós-graduação e mestrado.

A partir dessa vivência, ela decidiu transformar o desafio em oportunidade de negócio, criando uma empresa dedicada à promoção da autonomia digital, cidadania e geração de renda para um público frequentemente impactado pelas rápidas transformações tecnológicas.

Luciene também idealizou o Hub Diversidade, projeto aprovado no programa Cariocas de Impacto, do Sebrae Rio, com foco na inclusão produtiva, empreendedorismo e empregabilidade de pessoas que enfrentam diferentes formas de discriminação.

“É impossível ignorar que pessoas LGBTQIAPN+ ainda enfrentam desafios relacionados à invisibilidade e à falta de oportunidades. O Hub Diversidade nasce para fortalecer trajetórias, valorizar potencialidades e criar novos espaços para quem muitas vezes não encontra portas abertas no mercado”, afirma.

Raio-X do empreendedorismo LGBT+ no Brasil

Os dados da pesquisa Sebrae/Datafolha revelam um cenário de forte participação da população LGBT+ no universo dos pequenos negócios:

  • 3,7 milhões de brasileiros LGBT+ possuem negócio próprio ou atuam como autônomos;
  • 24% da população LGBT+ empreende;
  • 20% pretendem abrir um negócio nos próximos três anos;
  • 82% faturam até R$ 81 mil por ano;
  • 62% trabalham sozinhos;
  • 63% têm entre 16 e 34 anos;
  • Entre pessoas trans e travestis, 70% já empreendem, estão em processo de abertura de empresas ou desejam iniciar um negócio.

Os números reforçam o papel do empreendedorismo como instrumento de inclusão econômica, geração de oportunidades e fortalecimento da diversidade no ambiente empresarial brasileiro.

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