Parceria amplia apoio em sustentabilidade e digitalização para MPEs

Acordo firmado entre Sebrae, CFC e Fenacon prevê cooperação por 36 meses para levar soluções em ESG e transformação digital a micro e pequenas empresas

Sebrae firma acordo de cooperação técnica com o CFC e a Fenacon para beneficiar pequenos negócios e profissionais de contabilidade
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247 – Um acordo firmado em Brasília pretende ampliar o acesso de micro e pequenas empresas brasileiras a soluções de sustentabilidade e transformação digital. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) assinou, nesta segunda-feira (9), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon).

As informações foram divulgadas pelo próprio Sebrae. A parceria tem duração prevista de 36 meses e busca desenvolver e disseminar conhecimentos e ferramentas voltadas às práticas de sustentabilidade — conhecidas pela sigla ESG — e à digitalização de processos empresariais, com foco em micro e pequenas empresas (MPEs) e profissionais da contabilidade.

Além de ampliar o acesso a essas soluções, o acordo também pretende fortalecer o papel estratégico dos contadores como agentes de orientação e transformação na gestão dos pequenos negócios.

Durante a cerimônia de assinatura, a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, destacou que as mudanças regulatórias em sustentabilidade devem alcançar gradualmente também empresas de menor porte. Segundo ela, a partir do exercício de 2026 passam a ser obrigatórias para grandes empresas as normas CBPS1 e CBPS2, alinhadas aos padrões internacionais IFRS S1 e IFRS2.

Margarete explicou que essas exigências tendem a impactar toda a cadeia produtiva. “A padaria, o salão, a barbearia, a microindústria que fornecem para uma grande corporação precisarão demonstrar suas práticas de sustentabilidade ESG ou ASG, com um mínimo de transparência”, afirmou.

Ela acrescentou que os profissionais da contabilidade terão papel decisivo nesse processo de adaptação. “A padaria, o salão, a barbearia, a microindústria que fornecem para uma grande corporação precisarão demonstrar suas práticas de sustentabilidade ESG ou ASG, com um mínimo de transparência. E quem vai ajudar os pequenos negócios são vocês, contadores e contadoras”, frisou.

De acordo com a diretora, as novas normativas passam a tratar a sustentabilidade como informação financeira relevante, o que significa que fatores ambientais e climáticos podem influenciar diretamente estratégias empresariais, governança, avaliação de riscos e até o acesso ao crédito.

Outro ponto destacado por Margarete Coelho é a adoção do framework europeu VSME na plataforma Crescimento Sustentável do Sebrae. A ferramenta servirá como base para a criação de um ambiente de experimentação no país antes mesmo da regulamentação formal para micro e pequenas empresas. O modelo VSME é considerado uma referência internacional e voltado especificamente para empresas de menor porte.

O presidente do CFC, Joaquim Bezerra, ressaltou o trabalho conjunto com o Comitê de Pronunciamentos e Normas de Sustentabilidade do Brasil (CBPS) e avaliou que a iniciativa abre novas perspectivas para a contabilidade brasileira.

“Estamos partindo na frente e esse trabalho vai fazer com que nós coloquemos o Brasil como o primeiro país do mundo a implantar as normas de sustentabilidade nas micro e pequenas empresas. E sabe quem estará na dianteira desse processo? As contadoras e os contadores do nosso país”, afirmou.

A assinatura do acordo ocorreu durante o Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema CFC/CRCs, que reuniu cerca de 1,2 mil participantes de todo o país, entre representantes dos Conselhos Regionais de Contabilidade e do Conselho Federal de Contabilidade.

Para o presidente da Fenacon, Daniel Coêlho, a parceria representa uma oportunidade para os profissionais da área ampliarem seu papel na orientação das empresas diante das novas exigências de mercado. “As micro e pequenas empresas precisam enxergar que também devem se adequar porque as grandes empresas contratam as pequenas e essas têm que sair na frente. Nada melhor do que termos todas as informações, conhecimentos, normas para todos os profissionais do nosso país”, ressaltou.

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