Helena Chagas: “a mídia, que se considerava ‘fazedora’ de reis, percebeu a própria irrelevância”

Para a jornalista, a imprensa está em estado de desespero pela falência da terceira via. “Estão tendo que escolher entre Bolsonaro e Lula”

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247 – A jornalista Helena Chagas, em entrevista à TV 247, disse que a mídia tradicional está em desespero com a implosão da terceira via e, a contragosto, está tendo que decidir entre Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT). Para Chagas, o país e a sociedade estão mais complexos e não vão engolir o discurso midiático para tentar eleger qualquer candidato. 

“Não se fabrica um candidato a presidente da República. Não há candidato criado artificialmente pelo establishment que vai e ganha a eleição. Você pode até ter tido episódios anteriores em que a mídia adotou determinadas candidaturas, apoiou determinados candidatos e ajudou muito na eleição dele, mas eu acredito que de alguns anos pra cá, sobretudo depois da primeira eleição do presidente Lula, há 20 anos, a mídia perdeu o controle desse acesso”, diz.

Chagas destaca que, ao longo do processo histórico em que o país elegeu um metalúrgico que conseguiu eleger sua sucessora, “a grande mídia, aquela que se considerava ‘fazedora’ de reis, ‘fazedora’ de presidentes da República, percebeu a própria irrelevância”. 

Para a jornalista, o único lado da mídia tradicional, atualmente, é o desespero. “Eles estão tendo que escolher entre Bolsonaro e Lula. Acredito que boa parte deles até gostaria de ir para o Lula, mas só que eles gostariam de um Lula domesticado. Eles gostariam de ser procurados pelo Lula. Mas não me parece que este seja o Lula que está em primeiro lugar nas pesquisas se candidatando a voltar à Presidência da República”, pontuou.

Chagas também destacou que a Globo, emissora protagonista do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), também não conseguirá se render a Bolsonaro. “Eles também não têm muito como ir para Bolsonaro. Não tem como abraçá-lo porque Bolsonaro os tratou muito mal. Eles estão em um desespero total’. 

“Eu acredito que nessa campanha eles vão bater nos dois [Lula e Bolsonaro] até para tentar preservar aquilo que eles gostam de exibir [imparcialidade]. Mas o lado deles hoje é o do desespero”, finaliza.  

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