Leonardo Trevisan: “Nesta Copa, a geopolítica entrou em campo”

Professor afirma que mudanças na ordem mundial já se refletem no futebol e relaciona torneio ao novo equilíbrio de forças internacionais

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247 – O cientista político e professor Leonardo Trevisan afirmou que a atual edição da Copa do Mundo reflete transformações profundas na geopolítica internacional e que os resultados em campo expressam mudanças que vêm alterando o equilíbrio de poder entre diferentes regiões do planeta. A análise foi feita em entrevista ao programa Boa Noite 247, ao comentar os desdobramentos políticos internacionais e o cenário esportivo.

Embora a conversa tenha começado com uma análise sobre denúncias envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e supostas manipulações do mercado de criptomoedas, Trevisan concluiu a entrevista chamando atenção para outro aspecto que considera simbólico: a presença cada vez mais evidente das mudanças geopolíticas dentro do esporte de alto rendimento.

Segundo o professor, a Copa do Mundo deixou de ser apenas uma competição esportiva e passou a refletir as transformações da ordem internacional.

“A reconstrução, a mudança, a alteração geopolítica que a gente assiste no cenário mundial entrou no campo.”

Para Trevisan, o desempenho de seleções consideradas periféricas ou fora do eixo tradicional do futebol revela um movimento mais amplo que acompanha as mudanças econômicas, políticas e estratégicas observadas nas últimas décadas.

Ao comentar partidas da competição, ele mencionou o desempenho de equipes como Senegal diante de seleções europeias tradicionais e afirmou que esses episódios não devem ser vistos apenas sob a ótica esportiva.

“Essa Copa está meio cármica. Se a gente parar um segundo para pensar, o que está acontecendo na geopolítica está dentro do campo.”

Na avaliação do professor, o futebol acaba funcionando como um espaço onde também aparecem os efeitos da redistribuição do poder global. Países que ganharam importância econômica, política ou demográfica começam igualmente a disputar protagonismo em outras áreas, incluindo o esporte.

Trevisan argumenta que a geopolítica contemporânea já não pode ser compreendida apenas pelos conflitos militares ou pelas disputas comerciais entre grandes potências. Segundo ele, as mudanças alcançam dimensões culturais, esportivas e simbólicas, tornando grandes eventos internacionais uma vitrine das novas relações de poder.

Ao longo da entrevista, o professor também relacionou essa transformação ao enfraquecimento da hegemonia ocidental em diferentes campos. Para ele, a ascensão de novos polos econômicos e políticos altera o ambiente internacional de maneira ampla, influenciando inclusive competições esportivas globais.

No encerramento da conversa, ao comentar o próximo adversário da seleção brasileira, Trevisan observou que até a Noruega representa um caso interessante sob a perspectiva geopolítica. Segundo ele, o país adotou uma estratégia singular ao administrar sua riqueza proveniente do petróleo, evitando que esses recursos fossem incorporados diretamente à economia doméstica.

“O que me chama atenção é que a reconstrução, a mudança, a alteração geopolítica que a gente assiste no cenário mundial entrou no campo.”

Para o professor, o futebol oferece uma imagem condensada das transformações em curso na política internacional. As mudanças observadas nas relações entre Estados, na economia global e na distribuição de influência aparecem, ainda que de forma indireta, nos gramados da Copa do Mundo, tornando o torneio também um retrato das novas dinâmicas do sistema internacional.

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