247 – Em entrevista ao programa Literatura & Pensamento Crítico desta semana, Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista, filósofo e escritor, discorre sobre a sua produção intelectual e ressalta a importância das eleições de outubro.
“Neste momento, não cabe nenhum tipo de dúvida ou hesitação no Brasil. Os jovens, principalmente, precisam estar unidos na luta contra o bolsonarismo”.
Autor de obras importantes como “Ideias para adiar o fim do mundo”, “A vida não é útil” e o “O amanhã não está à venda”, Krenak, que teve as suas publicações traduzidas para dezenas de idiomas, também abordou questões nas searas da filosofia e da busca por um modelo de sociabilidade que não seja pautado pelo utilitarismo típico da atual racionalidade neoliberal.
No livro “A vida não é útil”, por exemplo, o pensador indígena salienta a urgência de questionar os preceitos que foram consagrados pelo fordismo/taylorismo ao longo do século XX.
“Seres humanos participam de uma dança cósmica e suas vidas têm valor por si mesmas. A vida não é útil. Útil é um liquidificador, por exemplo, no qual você coloca abacate, leite e faz uma vitamina”, diz Krenak.
Quando questionado sobre a possibilidade de assumir um cargo na política institucional brasileira, o intelectual é categórico ao afirmar que não tem o menor interesse e que não assumiria o compromisso de sequer “ir a Brasília uma vez por ano”. Segundo ele, “existem outras formas de exercer influência política como cidadão”.
Durante uma hora, ele fala sobre a sua trajetória, os seus livros e a luta que os seres humanos devem estabelecer para superar o atual modelo de sociabilidade que tem a reprodução do capital como parâmetro elementar de organização dos arranjos sociais.
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