247 – A defesa de uma presença cotidiana de Luiz Inácio Lula da Silva na comunicação pública foi um dos pontos centrais da entrevista de Breno Altman sobre o ambiente pré-eleitoral. Para o jornalista e analista geopolítico, o governo enfrenta uma disputa de narrativa em condições adversas e precisa responder com maior intensidade, colocando o presidente no centro da comunicação política até a votação.
Em participação no programa Bom Dia 247, Altman afirmou que Lula deveria adotar um modelo de contato regular com a imprensa, inspirado em experiências latino-americanas recentes. “Eu acho que do ponto de vista de comunicação, por exemplo, o presidente Lula deveria adotar daqui até as eleições o método López Obrador, Cláudia Sheinbaum”, disse.
A proposta apresentada por Altman é objetiva: uma coletiva diária, em horário fixo, para organizar a comunicação do governo e responder diretamente ao debate público. “Todo dia de manhã, às 7, um quebra-queixo no Palácio Planalto”, afirmou. Ao defender esse formato, ele comparou a iniciativa ao mecanismo usado por Andrés Manuel López Obrador no México e mantido por Claudia Sheinbaum, com entrevistas frequentes e centralidade presidencial na definição da agenda pública.
Segundo o analista, o principal efeito dessa rotina seria reforçar a disputa de narrativa antes do início do horário eleitoral. “Era uma medida adequada, penso eu, para poder reforçar a disputa de narrativa”, declarou. Na sua avaliação, o problema não é apenas de divulgação de ações governamentais, mas de enfrentamento político em um ambiente de pressão contínua.
Altman sustentou que o governo atua hoje sob desgaste constante promovido por grandes veículos de comunicação. “Nós estamos num cenário difícil pro governo, porque os meios de comunicação monopolistas, a imprensa de direita, embora não esteja claro que essa imprensa de direita vá apoiar Flávio Bolsonaro, há uma lógica nesse momento da imprensa de direita de desgastar o presidente Lula o máximo possível”, afirmou.
Dentro desse quadro, ele defendeu que Lula assuma diretamente a linha de frente da comunicação institucional e política. “Uma das formas de se contrapor a isso é o presidente Lula assumindo a comunicação do governo, assumindo a disputa de narrativa na sociedade antes que comece o horário eleitoral gratuito”, disse. O argumento central é que a presença frequente do presidente poderia reduzir a mediação dos grandes veículos e criar um canal direto de resposta aos temas que estruturam o debate público.
Altman também observou que esse movimento poderia ser feito sem violação das regras eleitorais, desde que mantido dentro das atribuições presidenciais e sem uso indevido de meios públicos para campanha. “Ele pode fazê-lo na condição de presidente”, afirmou. Em outro trecho, ao diferenciar pronunciamento oficial e comunicação política cotidiana, acrescentou que o presidente “não pode utilizar meios públicos” para campanha, mas pode atuar por outras formas de comunicação.
Mesmo defendendo a medida, o jornalista reconheceu que o modelo não corresponde ao estilo habitual de Lula. “Eu sei que ele não gosta do modelo e não o fará”, declarou. Ainda assim, insistiu que a adoção desse formato seria a resposta mais eficaz diante do atual cenário político. A divergência, portanto, não estaria na utilidade da ferramenta, mas na disposição do presidente em incorporá-la.
Ao fim, a proposta de Altman se insere em uma leitura mais ampla sobre o momento eleitoral: a de que a comunicação deixou de ser um aspecto acessório da administração e passou a funcionar como frente permanente de disputa política. Nessa perspectiva, a coletiva diária defendida por ele não seria apenas um recurso de divulgação, mas um instrumento para tentar reorganizar a presença do governo no debate público e reduzir o impacto do desgaste produzido fora do Palácio do Planalto.
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