“Ministro cai, mas esquema de Milton Ribeiro permanece no MEC”, diz Daniel Cara

“Substituição é alegórica”, avalia o professor de Educação da USP. “Ministério vai continuar pautado pelo interesse evangélico em detrimento do interesse da educação”. Assista

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247 – O educador e ativista pelo direito à educação Daniel Cara, em entrevista à TV 247, comentou o escândalo do “gabinete paralelo” de pastores no Ministério da Educação, que levou à exoneração do ministro Milton Ribeiro

Segundo ele, a distribuição de recursos do MEC já apresentava indícios de irregularidades antes mesmo do vazamento do áudio em que Ribeiro diz favorecer pastores na pasta a pedido de Jair Bolsonaro.

“Analisando os dados, a gente sabia que os recursos que eram distribuídos não faziam sentido nenhum. Concretamente, não fazia sentido observar que alguns municípios recebiam mais recursos para creches, escolas, escolas de ensino fundamental, projetos de reforma escolar do que outros municípios que precisam mais. É sempre bom lembrar que, de 2003 até 2016, a gente construiu um processo, que não era pacífico, mas em que as decisões da distribuição de recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) eram todas pautadas em critérios técnicos, e não políticos. Políticos também, mas da boa política, com P maiúsculo. Isso foi desconstruído pelo Milton Ribeiro e se tornou insustentável. Verdade seja dita, a desconstrução começa com Michel Temer”, disse.

“O Milton Ribeiro se tornou uma pessoa insustentável para o Bolsonaro, mas, na prática, ele continua em comando do Ministério da Educação. A substituição é alegórica. O resultado é que ele vai continuar como ministro prático. O esquema do Milton Ribeiro, que é muito maior que o Milton Ribeiro em si, permanece no Ministério da Educação, para azar da educação nacional e do país”, disse.

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