247 – Os preços da indústria recuaram 0,3% em maio na comparação com abril, pressionados principalmente pelo setor de alimentos, enquanto o Índice de Preços ao Produtor (IPP) acumulou alta de 4,8% nos cinco primeiros meses de 2026, o quarto maior resultado para maio desde o início da série histórica, em 2014, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo IBGE.
O resultado de maio reverteu a alta de 2,62% registrada em abril ante março. No acumulado em 12 meses, o IPP das indústrias extrativas e de transformação ficou em 1,99%. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores na chamada “porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes.
A queda mensal foi puxada sobretudo pela atividade de alimentos, que tem o maior peso na composição do índice. O setor respondeu por uma influência negativa de 0,48 ponto percentual sobre a variação geral de -0,3% da indústria. Em maio, os preços de alimentos caíram 2,05% em relação a abril.
Segundo o gerente do IPP, Murilo Alvim, a redução foi influenciada principalmente pelos preços do açúcar e do café. “O setor de alimentos, que tem o maior peso no cálculo do índice, recuou 2,05% no mês, com destaque para os menores preços dos açúcares, que acompanharam o avanço da safra da cana, contribuindo para que os preços no grupo de fabricação e ferino de açúcar caíssem 10,38% no mês. O recuo no preço do café também foi um destaque, como reflexo do período de colheita do grão”, explicou.
Das 24 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE, sete apresentaram queda de preços em maio na comparação com o mês imediatamente anterior. Entre as maiores variações absolutas, os destaques foram indústrias extrativas, com recuo de 5,9%; borracha e plástico, com alta de 4,8%; madeira, com avanço de 3,08%; e outros produtos químicos, com aumento de 2,14%.
Apesar da queda registrada no índice geral em maio, alguns segmentos mantiveram forte alta no acumulado do ano. As maiores variações entre janeiro e maio foram observadas em outros produtos químicos, com avanço de 20,28%; indústrias extrativas, com 15,78%; borracha e plástico, com 14,78%; e refino de petróleo e biocombustíveis, com 8,27%.
No caso de borracha e plástico, Murilo Alvim afirmou que os aumentos recentes refletiram repasses de custos ao longo da cadeia produtiva. “O setor da borracha e plástico, por exemplo, apresentou variação de 4,8% na passagem de abril para maio. Esse resultado foi puxado pela fabricação de produtos de material plástico, cujos preços aumentaram, em média, 6,59%, impactos pelos aumentos observados nos derivados de petróleo nos meses anteriores, cujos efeitos continuaram sendo repassados na cadeia produtiva. Esse grupo de material plástico, só nos últimos três meses, teve um avanço de 21,83%, contribuindo para que o setor se destacasse como uma das maiores variações também no indicador acumulado no ano”, destacou.
Nas grandes categorias econômicas, a retração de 0,3% em maio foi disseminada entre os principais grupos. Os bens de capital recuaram 0,21%; os bens intermediários caíram 0,29%; e os bens de consumo tiveram queda de 0,34%. Dentro deste último grupo, os bens de consumo duráveis subiram 0,09%, enquanto os semiduráveis e não duráveis recuaram 0,42%.
A maior influência sobre o resultado geral veio dos bens intermediários, que têm peso de 55,18% no IPP e responderam por -0,16 ponto percentual da variação total. Os bens de consumo contribuíram com -0,12 ponto percentual, enquanto os bens de capital tiveram impacto de -0,02 ponto percentual.
O IPP acompanha mensalmente a evolução dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos e é considerado um indicador relevante para identificar tendências inflacionárias de curto prazo. A pesquisa do IBGE coleta cerca de 6 mil preços em pouco mais de 2,1 mil empresas das indústrias extrativas e de transformação.
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