247 – Mais de mil pessoas morreram nos últimos dois dias na Síria em confrontos entre forças de segurança ligadas ao novo governo e aliados do ex-presidente Bashar al-Assad, derrubado do poder em dezembro passado. As informações são do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), organização não governamental sediada no Reino Unido, que possui uma extensa rede de fontes no país. Segundo reportagem do Uol, o balanço inclui 745 civis, 125 membros das forças de segurança sírias e 148 aliados de Assad entre as vítimas.
O conflito, que eclodiu após dias de tensão na região de Latakia, reduto da minoria alauita — à qual pertence o clã Assad —, é o primeiro grande embate desde a tomada do poder por uma coalizão rebelde liderada pelo grupo radical islâmico sunita Hayat Tahrir al-Sham (HTS). De acordo com Rami Abdulrahman, chefe do OSDH, as vítimas incluem mulheres e crianças. Ele também alertou para “execuções com base em razões confessionais ou regionais”, acompanhadas de “saques de casas e propriedades”.
Em meio ao caos, estradas que levam à região costeira foram fechadas, conforme informou uma fonte do Ministério da Defesa à agência de notícias oficial Sana. A medida visa “controlar a situação, prevenir abusos e restaurar gradualmente a estabilidade na região”. O presidente interino da Síria, Ahmad al-Sharaah, fez um apelo na noite de quarta-feira (7) aos insurgentes alauitas, pedindo que deponham suas armas. “Entreguem as armas antes que seja tarde demais. […] Continuaremos a trabalhar para um monopólio de armas nas mãos do Estado”, declarou em um discurso.
O conflito em Latakia expõe as profundas divisões sectárias e políticas que continuam a assolar a Síria, mesmo após a queda de Assad. A região, historicamente um bastião alauita, tem sido palco de tensões crescentes desde a ascensão do novo governo, que enfrenta resistência de grupos leais ao ex-líder. Enquanto isso, organizações de direitos humanos alertam para o risco de escalada da violência e para o impacto devastador sobre a população civil.
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