Irã e Omã dialogam sobre gestão do Estreito de Ormuz em meio à tensão regional

Reunião em Mascate tratou da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para petróleo e gás, após novo memorando entre Irã e EUA

Navio-tanque Agios Fanourios I, com bandeira de Malta, um navio petroleiro que navegou pelo Estreito de Ormuz, chegando às águas territoriais do Iraque ao largo de Basra, Iraque
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247 – Irã e Omã discutiram em Mascate mecanismos para a gestão do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A reunião, realizada na capital omanita, ocorreu em meio à tensão regional e teve como foco a navegação comercial, a cooperação bilateral e a futura administração dos serviços relacionados à passagem de embarcações pelo estreito.

Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, as delegações iraniana e omanita trocaram opiniões sobre temas ligados à segurança da navegação e aos direitos dos Estados costeiros na região.

De acordo com Gharibabadi, um dos pontos centrais do encontro foi o Artigo 5 do memorando de entendimento assinado entre Irã e Estados Unidos, que trata da passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz. O documento também prevê mecanismos para a gestão futura dessa rota marítima, considerada vital para o abastecimento energético global.

Até o momento, as autoridades de Omã não se pronunciaram oficialmente sobre a reunião nem sobre seus eventuais resultados. O silêncio de Mascate ocorre apesar do papel tradicionalmente desempenhado pelo país como mediador em crises envolvendo Teerã e Washington.

Gharibabadi afirmou ainda que, na semana anterior, Irã e Omã haviam concordado em criar um grupo de trabalho conjunto para dar continuidade às conversas. O objetivo é avançar em um entendimento sobre a administração da navegação, a prestação de serviços marítimos e os procedimentos operacionais no Estreito de Ormuz.

A reunião ocorre após uma escalada militar na região. O Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, anunciou ataques contra dez alvos militares iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz. A ofensiva foi apresentada por Washington como resposta a um suposto ataque com drone contra um navio-tanque de petróleo.

Em seguida, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou ter atacado instalações militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein, em retaliação às ações dos Estados Unidos. A sequência de ataques elevou a preocupação internacional com a segurança da navegação e com os efeitos de uma eventual interrupção no fluxo de energia pelo estreito.

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima decisiva entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Por ele circula parte significativa do petróleo transportado por via marítima no mundo, o que faz da região um ponto sensível para os mercados globais de energia e para a estabilidade econômica internacional.

Em 18 de junho, Irã e Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento que prevê a cessação das hostilidades, o levantamento do bloqueio naval imposto por Washington e a reabertura do Estreito de Ormuz. O fechamento da rota havia provocado forte alta nos preços internacionais do petróleo e do gás, pressionando governos e mercados.

A iniciativa de diálogo entre Teerã e Mascate indica uma tentativa de estabelecer canais técnicos e diplomáticos para reduzir riscos de novos incidentes no estreito. A gestão da navegação, porém, permanece condicionada ao avanço do entendimento entre os países envolvidos e à evolução do quadro militar no Golfo.

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