247 – O jornalista norte-americano Tucker Carlson defendeu a criação de um terceiro partido nos Estados Unidos, em oposição ao domínio de republicanos e democratas, e afirmou que fará “tudo” ao seu alcance para viabilizar essa alternativa política.
As declarações foram publicadas originalmente pela Sputnik Brasil, com base em entrevista de Carlson e em informações do Columbia Journalism Review. O jornalista, que se tornou uma das vozes mais influentes da direita norte-americana, vem se destacando por suas críticas ao governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, especialmente em relação à guerra com o Irã e à influência de Israel na política externa de Washington.
“Isso não é uma democracia. É um estado de partido único se passando por democracia, e precisa ser desmantelado. Haverá um terceiro partido, e farei tudo o que estiver ao meu alcance para que isso aconteça”, afirmou Carlson.
A declaração aponta para uma crise crescente dentro do campo conservador dos Estados Unidos. Carlson, que por anos foi um dos principais comunicadores da direita norte-americana, passou a confrontar setores republicanos ao denunciar o alinhamento entre os dois grandes partidos quando o tema é o financiamento de guerras e intervenções militares no exterior.
Segundo a reportagem, Carlson critica a convergência entre republicanos e democratas em torno da política de guerra dos Estados Unidos. Para ele, o sistema bipartidário norte-americano funciona como uma estrutura fechada, incapaz de representar de fato os eleitores que se opõem ao uso de recursos públicos em conflitos internacionais.
Apesar da defesa enfática de uma nova legenda, Carlson disse que não pretende ser candidato. Ele afirmou que sua contribuição está no campo da comunicação e da mobilização política.
O jornalista também ressaltou que não possui poder institucional nem controle sobre as Forças Armadas. Segundo ele, tudo o que tem “é falar e ser ouvido”.
A posição de Carlson ganhou ainda mais relevância após sua oposição à decisão de Trump de lançar uma operação militar contra o Irã. Em abril, o presidente norte-americano criticou figuras da mídia conservadora que vinham apoiando sua trajetória política, como Candace Owens, Tucker Carlson, Megyn Kelly e Alex Jones, justamente por se oporem à escalada militar.
A ideia de criar uma terceira força política nos Estados Unidos também já havia sido levantada pelo empresário Elon Musk. No ano passado, Musk chegou a defender a criação de um novo partido, mas acabou recuando após pressão do vice-presidente J. D. Vance e de aliados republicanos.
De acordo com o The Washington Post, Vance e seus aliados temiam que uma nova legenda enfraquecesse o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato de 2026, marcadas para novembro. Depois da desistência, Musk decidiu apoiar os republicanos no pleito.
A movimentação de Carlson, portanto, reacende o debate sobre a crise do bipartidarismo nos Estados Unidos e expõe fissuras dentro da própria base trumpista, especialmente entre setores que rejeitam a política externa intervencionista de Washington.
Ao afirmar que o país vive sob “um estado de partido único se passando por democracia”, Carlson mira o coração do sistema político norte-americano e reforça uma crítica que vem ganhando espaço tanto entre setores conservadores dissidentes quanto entre segmentos progressistas contrários às guerras.
A eventual criação de um terceiro partido, no entanto, enfrentaria obstáculos históricos. O sistema eleitoral dos Estados Unidos favorece a polarização entre democratas e republicanos, dificultando a consolidação de alternativas nacionais competitivas.
Ainda assim, a fala de Carlson indica que a insatisfação com o sistema político norte-americano pode ganhar novo impulso em meio às tensões internacionais, à disputa interna no campo conservador e ao debate sobre o papel dos Estados Unidos em guerras no Oriente Médio.
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