247 – A Organização das Nações Unidas repudiou de forma categórica qualquer mudança unilateral nas fronteiras entre a Faixa de Gaza e os territórios ocupados por Israel. A manifestação foi feita na terça-feira, em resposta direta às declarações recentes do chefe do exército israelense, informa o canal HispanTV.
A ONU reagiu depois que o comando militar israelense passou a se referir à chamada “linha amarela”, ponto até onde suas tropas recuaram dentro da Faixa de Gaza como parte do cessar-fogo, como uma “nova fronteira”. A formulação provocou imediata contestação internacional.
Durante entrevista coletiva, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, rejeitou de maneira explícita qualquer tentativa de redelimitação territorial. “Acho que isso contraria o espírito e a letra do plano de paz, e nos opomos veementemente a quaisquer alterações nas fronteiras de Gaza e Israel”, afirmou. O porta-voz enfatizou ainda que a organização continuará reconhecendo Gaza em sua totalidade, e não apenas a área situada além da “linha amarela”.
O cenário atual reflete a profunda assimetria criada pelo avanço militar israelense. Conforme o acordo de cessar-fogo, Israel mantém a ocupação de mais de 50% do território de Gaza, com a “linha amarela” funcionando como divisão entre zonas sob controle militar israelense e áreas onde palestinos podem circular.
A controvérsia ganhou força após a declaração do chefe do exército israelense, general Eyal Zamir, no domingo. Ele afirmou que “a linha amarela é uma nova fronteira, uma frente avançada, tanto ofensiva quanto defensiva para nossas comunidades”. A fala sugere uma tentativa de transformar, de fato, o recuo tático em um marco territorial permanente.
De acordo com a reportagem, analistas apontam que Israel vem se aproveitando da ausência de coordenação internacional e da falta de pressão efetiva das organizações multilaterais para consolidar um controle indireto sobre Gaza. Esse controle inclui a manutenção do bloqueio, a limitação sistemática da circulação de pessoas e a obstrução dos esforços de reconstrução, medidas que, combinadas, pavimentariam o caminho para uma separação duradoura do território.
A posição da ONU reafirma o entendimento internacional de que fronteiras não podem ser alteradas unilateralmente, sobretudo em um contexto de ocupação e conflito prolongado, mantendo a questão no centro do debate global sobre direitos, soberania e futuro da Palestina.
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