Presidente da Indonésia acusa ONGs financiadas por estrangeiros de tentar dividir o país

Prabowo Subianto afirmou que organizações civis recebem dinheiro para manipular o país e conclamou os indonésios à unidade em torno do Pancasila

O presidente indonésio, Prabowo Subianto, lê os votos feitos pelos ministros recém-nomeados durante a posse no palácio presidencial em Jacarta, em 21 de outubro de 2024
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247 – Em pronunciamento realizado nesta domingo (1), o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, alertou para o que considera uma ameaça crescente à soberania nacional: a atuação de organizações não governamentais (ONGs) financiadas por países estrangeiros. 

Segundo Prabowo, essas entidades estariam fomentando divisões internas e manipulando narrativas sob o disfarce de promover valores democráticos e direitos humanos. As declarações foram divulgadas pelo Jakarta Globe.

“Eles [países estrangeiros] ainda estão nos provocando. Eles estão financiando ONGs para alimentar a divisão… Não estou dizendo aos indonésios para não confiarem em outros países, mas não devemos permitir que sejamos manipulados. Lembramos o que disseram nossos fundadores: o povo indonésio deve se sustentar com seus próprios pés”, afirmou o presidente.

As declarações de Prabowo ocorrem em meio a um aumento do escrutínio sobre ONGs e veículos de mídia na Indonésia, acusados de promover narrativas alinhadas a interesses estrangeiros. Embora o presidente não tenha nomeado organizações específicas, suas críticas refletem preocupações semelhantes em outros países, onde governos adotaram medidas para restringir a influência de grupos financiados do exterior em assuntos políticos internos.

Analistas traçam paralelos entre as observações de Prabowo e casos em países como Geórgia, Ucrânia e Quirguistão, onde movimentos de protesto conhecidos como “revoluções coloridas” foram apoiados por ONGs financiadas por entidades ocidentais, incluindo a National Endowment for Democracy (NED) e a USAID. Embora frequentemente retratados como levantes democráticos, esses movimentos foram criticados por diversos governos como tentativas orquestradas externamente de remodelar políticas soberanas.

Em resposta a tais preocupações, países como Rússia promulgaram leis que exigem que ONGs recebendo financiamento estrangeiro e envolvidas em atividades políticas se registrem como “agentes estrangeiros”. Quirguistão e Hungria também adotaram restrições semelhantes.

Prabowo situou a Indonésia nesse contexto global de estados que buscam proteger seus assuntos internos de pressões externas dissimuladas. Ele destacou que, embora a colonização tenha terminado, os esforços de desestabilização estrangeira evoluíram para formas mais sutis, como o financiamento ideológico e a engenharia de narrativas.

“Desentendimentos não devem se tornar motivo de conflito. É isso que os países estrangeiros esperam”, alertou o presidente, conclamando à coesão social diante de tais influências.

O discurso também serviu como uma reafirmação do Pancasila, filosofia estatal da Indonésia estabelecida após a independência do domínio holandês em 1945. Composto por cinco pilares — crença em um Deus único, humanidade justa e civilizada, unidade nacional, democracia orientada pela sabedoria e justiça social — o Pancasila permanece como um marco unificador em um arquipélago diverso e populoso.

Prabowo enfatizou que esses princípios devem funcionar como escudo contra ameaças modernas à soberania. Ele apelou aos indonésios para aprofundarem seu compromisso com a unidade nacional e a autossuficiência, apresentando esses valores como defesas essenciais contra agendas estrangeiras que buscam explorar fraturas sociais.

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