Datafolha mede número de eleitores de esquerda e direita no Brasil

Pesquisa também identificou mudança puxada por temas de comportamento

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247 – A direita voltou a liderar a matriz ideológica do Datafolha no Brasil, com 44% dos entrevistados classificados nesse campo ou na centro-direita, enquanto 39% ficaram na esquerda ou centro-esquerda. Segundo o levantamento do instituto, divulgado a partir de pesquisa presencial feita em junho, outros 17% dos brasileiros aparecem no centro. Os relatos foram divulgados nesta sexta-feira (3) pelo jornal Folha de S.Paulo.

A diferença de cinco pontos percentuais entre direita e esquerda supera a margem de erro geral, de dois pontos para mais ou para menos. O resultado marca uma reversão em relação a 2022, quando a esquerda reunia 49% dos entrevistados, enquanto a direita somava 34%, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Esta é a primeira vez desde 2014 que a direita aparece numericamente à frente na série histórica do instituto. Naquele ano, durante o governo Dilma Rousseff (PT),vítima de um golpe, 45% dos brasileiros foram classificados à direita, contra 35% à esquerda. Em 2013, havia empate técnico, com 39% na direita e 41% na esquerda. Em 2017, o cenário também indicava equilíbrio, com 40% e 41%, respectivamente.

Na divisão mais detalhada da matriz ideológica, o Datafolha aponta 15% dos entrevistados à direita, 29% na centro-direita, 17% no centro, 26% na centro-esquerda e 13% à esquerda. Em 2022, os números eram de 9% na direita, 24% na centro-direita, 17% no centro, 32% na centro-esquerda e 17% na esquerda.

A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.

A metodologia do instituto não se baseia em uma pergunta direta sobre autodeclaração ideológica. O Datafolha classifica os entrevistados a partir das respostas a temas sociais, políticos, culturais e econômicos. A partir desse conjunto de opiniões, o instituto posiciona cada pessoa em escalas de comportamento e de pensamento econômico.

Temas apresentados na pesquisa

O questionário reúne dez perguntas sobre comportamento, com temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião. Também inclui seis questões econômicas, relacionadas a impostos, leis trabalhistas e papel do governo. Mesmo com número diferente de perguntas, os dois blocos têm o mesmo peso na matriz geral.

A principal mudança em relação a 2022 ocorreu no eixo comportamental. Nesse recorte, a direita passou a reunir 52% dos entrevistados, contra 29% da esquerda e 20% do centro. Quatro anos antes, direita e esquerda apareciam em empate técnico nesse campo, com 39% e 42%, respectivamente.

  • Problemas sociais

A variação mais expressiva nas perguntas de comportamento apareceu na visão sobre pobreza. A parcela dos entrevistados que atribui a pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” subiu de 22% para 40%. Ainda assim, a maioria continua associando a pobreza à falta de oportunidades iguais, embora esse percentual tenha recuado de 76% para 58%.

Temas ligados à segurança pública e costumes também mostraram deslocamento. O apoio ao direito de possuir uma arma legalizada passou de 35% para 41%. Já a defesa da proibição da posse de armas caiu de 63% para 55%.

A pesquisa também registrou redução no percentual de entrevistados que afirmam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade, de 79% para 72%. Na área penal, 70% defendem que adolescentes que cometem crimes recebam punição como adultos, ante 65% em 2022.

  • Área econômica

Na economia, as posições associadas à esquerda seguem em primeiro lugar. O campo reúne 46% dos entrevistados nesse eixo, contra 28% da direita e 26% do centro. Em 2022, os percentuais eram de 50%, 25% e 25%, respectivamente.

As respostas econômicas mostram tendências distintas. A parcela que afirma que depender menos do governo melhora a vida chegou a 65%, maior patamar da série. Além disso, 50% preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação, enquanto 44% defendem pagar mais impostos para receber serviços públicos gratuitos.

Ao mesmo tempo, 71% dizem que o governo deve liderar os investimentos no país e impulsionar o crescimento econômico. Outros 56% afirmam que as leis trabalhistas protegem mais os trabalhadores do que atrapalham as empresas e defendem a ampliação de parte desses benefícios.

O levantamento também revela diferenças relevantes entre grupos da população. Entre homens, 50% aparecem classificados à direita, enquanto 33% ficam à esquerda. Entre as  mulheres, a esquerda lidera, com 44%, contra 37% da direita.

  • Religião

A clivagem religiosa também aparece com força. Entre evangélicos, 52% ficam à direita, 30% à esquerda e 18% no centro. Entre católicos, direita e esquerda ficam em empate técnico: 43% e 39%, respectivamente, com 18% no centro. Nesse segmento, a margem de erro é de três pontos percentuais.

No eixo de comportamento, a direita chega a 61% entre evangélicos e a 52% entre católicos. No campo econômico, a esquerda soma 47% entre católicos. Entre evangélicos, esquerda e direita ficam tecnicamente empatadas, com 39% e 33%, considerada a margem de erro de cinco pontos percentuais nesse recorte.

A pesquisa também fez um recorte de religião e de gênero, e fez comparações com as posições políticas dos entrevistados.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

2 responses to “Datafolha mede número de eleitores de esquerda e direita no Brasil”

  1. Pobres de direita, merecem roer osso…
    Quando Lula se for, ele voltam pra fila…

  2. Avatar de Paulo Roberto Martins
    Paulo Roberto Martins

    Brasileiro tem uma cultura tão primária que nem sabe o que é esquerda ou direita. Noção zero!

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