O Brasil vive um momento angustiante. Os índices de violência preocupam e causam uma sensação de insegurança assombrosa. As pessoas andam sobressaltadas como se estivessem sob a mira de uma arma. Os acidentes fatais, ocasionados pelas péssimas condições das rodovias ou pela completa falta de fiscalização, acrescem dados estatísticos relacionados a mortes violentas.
O consumo de crack evolui em larga escala e amplia o número de dependentes químicos que, por conseguinte, ingressam no mundo da delinquência. Deste modo, a criminalidade avança com mais homicídios, roubos, furtos, estupros, sequestros e outros tipos penais detestáveis. A saúde pública é alvo das mais severas críticas em razão das reprováveis condições do sistema, haja vista que os cidadãos não conseguem ser atendidos dignamente na maioria das unidades de saúde- não conseguem sequer marcar consultas ou exames em um espaço de tempo razoável. Os hospitais de emergência transformaram-se em verdadeiros campos de concentração, onde pessoas são jogadas em macas que ocupam intermináveis corredores sem o mínimo de dignidade.
A qualidade do ensino, quando analisada no país como um todo e cotejada com a de países como Finlândia, Cingapura, Coréia do Sul e outros que primam por uma educação de alto nível, afigura-se arrasada. Em uma estimativa interna, quando se comparam os resultados das diversas regiões do país, constata-se uma desigualdade similar à verificada no aspecto econômico. Ou seja, as regiões sul e sudeste na vanguarda, e as regiões norte e nordeste na lanterna.
O mais grave de tudo isso é que os servidores dessas áreas importantes encontram-se, em sua grande maioria, insatisfeitos. Eles denunciam a falta de condições de trabalho, remunerações aviltantes e ausência de planejamento por parte dos gestores públicos. Portanto, do ponto de vista administrativo, há uma distância abissal entre o real e o imprescindível. A incapacidade gerencial é a marca dos governantes que não conseguem corresponder às expectativas dos trabalhadores e da sociedade.
Logo, está evidente que somos desprovidos do que é necessário e, por essa razão, estabelecemo-nos, exatamente, no gráfico do subdesenvolvimento. E o Produto Interno Bruto – PIB? Com um crescimento de apenas 0,6 % no terceiro trimestre de 2012, confirmamos que estamos em uma fase apavorante. E ainda tem gente dizendo por aí que o crescimento anual será inferior a 1 %. Será? Em relação aos demais países da América Latina, vamos ganhar apenas do Paraguai. Que vergonha!
Dos chamados Brics, Brasil, China, Índia e Rússia todos tiveram um crescimento superior ao nosso. Isso mostra que muitas coisas estão erradas por aqui. Afinal de contas, não conseguimos superar ninguém, nem os países que compõem os Brics nem os vizinhos da América Latina, que possuem condições bem inferiores as nossas.
A estratégia econômica adotada pelo governo parece que não é a mais eficaz. Ou então, resolve, apenas, os interesses do próprio governo, pois os cidadãos estão cada vez mais endividados. As pessoas que caíram no conto do consumo estão presas a financiamentos infindáveis, pois foram às compras estimuladas pelos governantes de plantão que, no intuito de aquecerem a economia, seguiram planos que tornaram os cidadãos reféns dos parcelamentos bancários. O Brasil não cresceu como deveria, e o povo ficou no vermelho.
Não obstante tantos aspectos negativos como os citados, e a corrupção abjeta que corrói a administração pública, a popularidade da presidente Dilma está em alta. Essa, indiscutivelmente, é a demonstração da boa fé do povo brasileiro, e a esperança de que ela corrija as inumeráveis deformidades. É a fé em Dilma.
Mendonça Prado é Advogado e Deputado Federal.
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