'Óbvio que Lava Jato iria promover retaliação contra mim', diz Zanin sobre operação em que é alvo

"A iniciativa do senhor Marcelo Bretas de autorizar a invasão da minha casa e do meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho como advogado", denunciou Cristiano Zanin, que é advogado de Lula

Cristiano Zanin Martins, Polícia Federal e Marcelo Bretas
Cristiano Zanin Martins, Polícia Federal e Marcelo Bretas (Foto: ABr | Reuters)
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Sputnik - O advogado Cristiano Zanin Martins, alvo de operação da Lava Jato nesta quarta-feira (9), disse que era "óbvio" que a força-tarefa "iria promover uma retaliação" contra ele. 

Zanin é um dos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e crítico dos métodos da Lava Jato. Deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal e Ministério Público, a Operação E$quema S cumpre 50 mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia, endereços pessoais e de empresas. 

O operação investiga desvios de pelo menos R$ 150 milhões do Sistema S e da Fecomercio do Rio de Janeiro por escritórios de advocacia no Rio e em São Paulo.

Por meio do Twitter, Zanin disse que tinha atuado nos "últimos anos" para "desmacarar abusos" da Lavaja Jato, por isso a operação de hoje era uma tentativa de "retaliação". 

​Além disso, por meio de nota, o advogado criticou o juiz Marcelo Bretas, que expediu os mandados, afirmando que ele é ligado ao presidente Jair Bolsonaro e citando a investigação por suspeita de corrupção contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

"O juiz Marcelo Bretas é notoriamente vinculado ao presidente Jair Bolsonaro e sua decisão no caso concreto está vinculada ao trabalho desenvolvido em favor de um delator assistido por advogados ligados ao senador Flavio Bolsonaro. A situação fala por si só", disse Zanin. 

'Invasão da minha casa'

A operação da Lava Jato tem como base delação premiada de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomercio. A delação é assinada pelas advogadas Juliana Bierrenbach Bonetti e Ana Heymann Arruti, do escritório Bierrenbach & Pires Advogados, que assumiu a defesa de Flávio Bolsonaro no caso Queiroz.

Zanin também disse que a operação tinha como objetivo intimidá-lo. 

"A iniciativa do senhor Marcelo Bretas de autorizar a invasão da minha casa e do meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho como advogado, que há tempos vem expondo as fissuras no Sistema de Justiça e do Estado Democrático de Direito. É público e notório que minha atuação na advocacia desmascarou as arbitrariedades praticadas pela Lava Jato, as relações espúrias de seus membros com entidades públicas e privadas e sobretudo com autoridades estrangeiras", disse ele. 

Outro advogado de Lula, Roberto Teixeira, é alvo da operação da Lava Jato. Também foram realizadas buscas em endereço de Frederick Wasseff, ex-advogado da família Bolsonaro. Não há mandados de prisão. Segundo o MPF, o esquema envolvia contratos falsos, sem a prestação dos serviços advocatícios. 

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