247 – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classificou como “pessoal” a denúncia da jornalista Mirian Dutra, sua ex-amante, de que repassava uma mesada de US$ 3 mil para mantê-la no exterior por meio da Brasif, empresa concessionária do governo federal.
Por meio de nota, FHC lamentou que estejam fazendo “uso político de uma questão pessoal”. A declaração foi feita depois que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou nesta sexta-feira 19 que a Polícia Federal investigará o episódio se houver indício de crime.
Segundo Cardozo, todos os aspectos que possam envolver uma situação de “eventual ocorrência de delito” no envio de dinheiro ao exterior, por parte de FHC, passarão por “estudo técnico e jurídico”. Ele ressaltou que não escolhe as investigações da PF. “Não importa para mim se são pessoas aliadas à base governista, de partidos que mantém boa relação com o governo, ou se são oposicionistas”.
Na nota, FHC diz que “nunca utilizou qualquer empresa, exceto bancos, para a remessa de recursos a pessoas no exterior”. “Todas as remessas internacionais que realizou obedeceram estritamente a lei, foram feitas a partir de contas bancárias declaradas e com recursos próprios resultantes de seu trabalho. Não tem fundamento, portanto, qualquer ilação de ilegalidade. O presidente lamenta o uso político de uma questão pessoal”, diz o texto.
O deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), vice-líder do governo na Câmara, anunciou nesta sexta que irá ao Ministério Público pedir investigação do episódio. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também cobrou apuração. Mirian Dutra disse que nunca trabalhou para a Brasif e que a empresa foi usada para ocultar remessas ao exterior feitas pelo próprio FHC.
Por nota, a Brasif afirmou nesta sexta-feira que a contratação de Mirian Dutra foi realizada por intermédio do lobista Fernando Lemos, já falecido.
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