247 – A China ampliou sua liderança no transporte marítimo global ao responder, em 2025, por cerca de um terço do comércio marítimo internacional, consolidando sua posição como principal potência logística do setor. O país também concentra oito dos dez maiores portos do planeta em volume de cargas, segundo dados do Ministério dos Transportes chinês divulgados pelo Brasil de Fato.
As informações foram apresentadas pelo vice-ministro dos Transportes, Li Xinghu, em coletiva realizada em Pequim, na terça-feira (30), para divulgar o balanço do 14º Plano Quinquenal da China, referente ao período de 2021 a 2025. O resultado mostra o peso crescente da infraestrutura portuária chinesa na reorganização das cadeias globais de suprimentos.
De acordo com o Ministério dos Transportes, o transporte hidroviário já representa mais da metade do sistema integrado de transportes do país. A expansão do setor evidencia a centralidade das rotas marítimas, dos portos e das hidrovias na estratégia chinesa de modernização econômica, aumento de produtividade e redução de custos logísticos.
Em 2025, os portos chineses movimentaram 18,3 bilhões de toneladas de cargas e 354 milhões de TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. Ambos os indicadores colocam a China no topo mundial. A frota mercante controlada por empresas chinesas também atingiu 490 milhões de toneladas de porte bruto, mantendo o país na liderança global do transporte marítimo.
Ao longo do 14º Plano Quinquenal, a China incorporou 469 novos berços para embarcações com capacidade superior a 10 mil toneladas. Com isso, o total chegou a 3.061 estruturas desse tipo. No mesmo intervalo, a rede de hidrovias de alta capacidade cresceu 2,5 mil quilômetros e alcançou aproximadamente 18,5 mil quilômetros.
A integração entre diferentes modais de transporte também avançou de forma acelerada. Em 2025, os portos chineses movimentaram 13,49 milhões de TEUs pelo sistema intermodal entre ferrovias e hidrovias, quase o dobro do volume registrado em 2020. A expansão reforça a estratégia de conectar áreas industriais, corredores logísticos internos e rotas marítimas internacionais.
O balanço do plano também destaca a consolidação de três grandes complexos portuários considerados estratégicos para a economia chinesa: a região do Mar de Bohai, o Delta do Rio Yangtzé e a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Esses polos funcionam como eixos de ligação entre a produção industrial do país e os principais fluxos do comércio global.
Os investimentos realizados no período priorizaram a conexão entre hidrovias, ferrovias, rodovias e portos. O objetivo foi ampliar a eficiência no transporte de mercadorias, reduzir gargalos logísticos e fortalecer a conectividade entre diferentes regiões da China, especialmente áreas industriais e zonas voltadas ao comércio exterior.
Outro ponto central foi a automação dos portos. Atualmente, a China opera 60 terminais portuários automatizados, dos quais 30 são voltados a contêineres. Esse número representa cerca de 27% do total mundial. Segundo o Ministério dos Transportes, os terminais automatizados de Xangai e Qingdao estão entre os mais eficientes do planeta.
A modernização portuária ocorre em um momento em que países e empresas buscam redesenhar cadeias produtivas e rotas comerciais. Com uma infraestrutura cada vez mais integrada, automatizada e de grande escala, a China reforça sua capacidade de atender ao mercado interno e, ao mesmo tempo, ampliar sua influência sobre o comércio marítimo internacional.
O Plano Quinquenal é o principal instrumento de planejamento econômico e social da China. Elaborado sob coordenação do Partido Comunista da China e aprovado pela Assembleia Popular Nacional, o documento estabelece diretrizes estratégicas para políticas públicas, investimentos estatais e metas de desenvolvimento em todo o território chinês.
O plano define objetivos de médio prazo com base em indicadores econômicos, sociais, ambientais e tecnológicos. Essas metas são desdobradas em ações nacionais e regionais, com participação de ministérios, governos locais e empresas estatais. A implementação combina coordenação centralizada, adaptação às condições de cada província e avaliação por resultados.
No setor de transportes, o planejamento quinquenal orienta a integração entre ferrovias, hidrovias, rodovias e portos. A prioridade é reduzir custos, elevar a eficiência logística e fortalecer a ligação entre polos produtivos e mercados internacionais. Essa política tornou-se um dos pilares da estratégia chinesa para sustentar sua competitividade industrial e comercial.
Os planos quinquenais fazem parte do modelo de desenvolvimento adotado pela China desde 1953 e integram o sistema que o país define como socialismo com características chinesas. No período recente, as autoridades chinesas descrevem essa etapa como uma fase de modernização socialista, marcada por planejamento de longo prazo, coordenação estatal, expansão tecnológica e metas de crescimento orientadas por eficiência.
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