PF investiga empresas ligadas a dinheiro apreendido com Sóstenes Cavalcante

Apuração da Polícia Federal aponta rede empresarial, saques milionários em espécie e contradições na versão apresentada pelo líder do PL sobre a origem de R$ 468 mil

Sóstenes Cavalcante
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A Polícia Federal investiga uma rede de empresas e pessoas físicas relacionada aos R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendidos no ano passado em um endereço vinculado ao líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A investigação também aponta contradições na explicação apresentada pelo parlamentar para justificar a origem do montante, que teria sido proveniente da venda de um apartamento.

As informações foram publicadas pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (1º). Segundo a reportagem, a PF identificou uma estrutura empresarial formada por companhias do setor da construção civil e por dois irmãos, cujas movimentações financeiras passaram a ser alvo de aprofundamento das investigações após a análise das etiquetas bancárias encontradas junto ao dinheiro apreendido.

De acordo com os investigadores, a apuração considera a hipótese de desvio de recursos de cota parlamentar e busca esclarecer se o dinheiro localizado com Sóstenes tem ligação com sucessivos saques em espécie realizados por empresas integrantes do grupo empresarial investigado.

Etiquetas bancárias levaram investigadores à rede empresarial

Segundo a Polícia Federal, duas frentes de investigação foram abertas logo após a apreensão do dinheiro. A primeira consistiu em rastrear as etiquetas bancárias que acompanhavam as cédulas. A segunda buscou verificar a versão apresentada por Sóstenes, segundo a qual os recursos seriam decorrentes da venda de um imóvel localizado em Minas Gerais.

Os investigadores afirmam que, inicialmente, não foi encontrada “relação aparente” entre os registros identificados nas etiquetas do dinheiro e o deputado, nem com pessoas ligadas à suposta negociação do imóvel. A partir desse ponto, a investigação passou a concentrar esforços sobre uma movimentação financeira considerada atípica envolvendo empresas do setor imobiliário.

A PF afirma que esse caminho revelou um “complexo arranjo de sociedades empresariais, caracterizado por saques vultosos e uma movimentação financeira de elevada complexidade”, o que motivou novas diligências para verificar a origem dos recursos e eventual conexão com os valores apreendidos.

Empresas e irmãos estão no centro da investigação

Entre as empresas investigadas estão a Ejus Empreendimentos Imobiliários e a Foco Engenharia e Incorporações, ambas voltadas à construção de edifícios. Segundo a investigação, as duas são administradas por outra empresa registrada em nome de um dos irmãos investigados e funcionam no mesmo endereço, ocupando salas comerciais distintas.

A PF identificou que a Ejus não possui funcionários formalmente registrados nem veículos em seu nome. Já um dos irmãos, Jonas Umbelino, é descrito pelos investigadores como empresário que mantém uma “vasta rede de pessoas jurídicas em seu nome, notadamente nos ramos de construção civil e empreendimentos imobiliários, formando estrutura empresarial complexa e ramificada”, da qual fazem parte a Ejus e a Foco.

Ainda conforme a investigação, a irmã de Jonas, Jecy, seria responsável pela gestão das operações financeiras do grupo empresarial, desempenhando papel relevante na movimentação dos recursos analisados pela Polícia Federal.

Saques em espécie reforçam suspeitas da PF

A análise financeira realizada pelos investigadores apontou que apenas as duas empresas realizaram 22 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 4,7 milhões.

Quando o levantamento foi ampliado para todo o grupo empresarial ligado aos dois irmãos, a PF identificou 81 saques em espécie, que somam R$ 15.542.386,00. Todos, segundo o relatório, foram efetuados por um dos dois investigados.

Na avaliação da Polícia Federal, o elevado volume de retiradas em dinheiro, a proximidade entre as datas das operações e o fato de os mesmos responsáveis terem realizado os saques “reforçam o grau de suspeição sobre a dinâmica financeira do grupo”. A corporação afirma que as novas diligências têm como objetivo esclarecer a finalidade dessa estrutura empresarial e verificar se há vínculo entre esses recursos e os R$ 468 mil apreendidos em poder de Sóstenes Cavalcante.

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Cortes 247

One response to “PF investiga empresas ligadas a dinheiro apreendido com Sóstenes Cavalcante”

  1. Avatar de Claudio Miguel Lacar
    Claudio Miguel Lacar

    Que beleza … não falha uma … facção PL-22 …

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