Opinião

Temer já perdeu

“A eleição a prefeito de São Paulo, que é a que realmente importa no que tange a influenciar a sucessão presidencial de 2018 será a primeira prova de fogo para Temer. E, seja qual for o resultado, ele já perdeu”, diz o colunista Alex Solnik

Brasília - DF, 11/08/2016. Presidente em Exercício Michel Temer durante encontro com representantes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC. Foto: Beto Barata/PR
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A eleição a prefeito de São Paulo, que é a que realmente importa no que tange a influenciar a sucessão presidencial de 2018 será a primeira prova de fogo para Temer.

   E, seja qual for o resultado, ele já perdeu.

   Se Haddad se reeleger, o que parece difícil, pois está em quarto nas pesquisas, tem uma rejeição alta e vai sucumbir ao efeito PT em desgraça, a vitória será de Lula. O ex-presidente tem condições de reverter o jogo, mas isso se o deixarem livre, leve e solto. Principalmente solto, o que não é exatamente o que pretende Sergio Moro e sua força-tarefa.

   Se, por algum milagre, ganhar o Russomano, apesar de o seu partido ser um dos aliados – ou, no caso, cúmplice – de Temer a vitória será de Edyr Macedo, e sabe-se lá o que ele vai fazer com ela em 2018, poderá até apoiar o presidente-tampinha, mas é um duro negociador e vai querer em contrapartida alguma coisa grande. Já tem um ministério, mas isso será muito pouco se ele fizer o prefeito de São Paulo.

   Se, por absurdo, ganhar Dólar Jr. quem vai comemorar será o Alckmin, que vive grudado com ele, e não Temer, muito menos Aécio ou Serra, os tucanos que vão querer provar que, além de ganhar a presidência no grito são também capazes de ganhar nas urnas. O que mostra, portanto, que Alckmin é o único tucano que tem candidato a prefeito de São Paulo. Um aprendiz, como se sabe. A essa altura, ter um candidato pode ser vantagem, mas, se Dólar Jr. for a pique, que é o cenário mais provável, Alckmin vai naufragar junto com ele, e sua tão sonhada candidatura presidencial vai virar pó.

   A vitória de Erundina pode ser até boa para Temer, por significar derrota dos tucanos (em casa), de Lula (também em casa) e de Edyr Macedo (idem). Se ele perder e seus rivais também perderem fica tudo empatado.

   Mas se a vencedora for Marta, um resultado possível, apesar da herança maldita que deixou na cidade e da sina que persegue todos os ex-petistas que mudam de partido, um feito para os peemedebistas que nunca emplacaram um prefeito em São Paulo ele também não poderá soltar fogos porque a Marta, sem poder, já é difícil de aguentar, o que dirá se ela conquistar o poder na maior cidade do país, que tem o maior orçamento e o maior eleitorado do país! Ela vai ficar insuportável! Vai vender caro o apoio ao candidato do PMDB em 2018 – se é que não vai exigir que a candidata seja ela.

   Há vários exemplos históricos de seu temperamento instável. Exigente e mimada, e, possivelmente, bipolar, sua vida pública e privada é uma coleção de momentos inesquecíveis e questionáveis.

    Trocou um marido de família de sangue azul e ex-milionária, mas com alma de sem- terra por um banqueiro sem nenhuma vocação para a filantropia. Mas ninguém tem nada a ver com isso.

   Nas eleições de 2006 questionou publicamente a intimidade do rival Gilberto Kassab e agora se aliou a ele, entregando a vice ao seu partido. Problema dela, claro.

   Em 2010 exigiu um ministério para apoiar Haddad, foi atendida, mas, quatro anos depois abandonou a presidente Dilma e seu partido, nos quais começou a jogar pedras – o que promete continuar fazendo na campanha atual. Te cuida, Temer!

   A suposta vitória de Marta não será uma solução para Temer. Muito menos uma rima.

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