Renan Calheiros falou pouco na reta final do impeachment, mas com apenas três frases resumiu do que se tratava e apresentou os melhores argumentos para anular essa farsa.
Foi muito mais eficiente que Lindbergh Farias, Gleisi Hoffman e Vanessa Graziottin juntos.
Primeiro, definiu os trabalhos como “julgamento no hospício”.
Ora, se o Senado virou hospício e os senadores, loucos, nenhum cidadão, muito menos um juiz, pode levar a sério seus votos, principalmente porque a afirmação foi feita ao vivo e a cores pela maior autoridade possível, o presidente do Senado.
Ninguém conhece melhor os senadores do que o presidente do Senado.
Logo em seguida, ele foi além, dizendo que ali “a burrice é infinita”.
Bem, se os senadores, que no impeachment são os julgadores, além de loucos são burros, não é possível que pessoas nem loucas, nem burras aceitem suas decisões.
Encerrando sua participação com chave de ouro, Renan cunhou uma frase, ontem, entre a primeira e a segunda votação, que é uma confissão explícita de que aquilo não teve nada de constitucional.
“No Nordeste tem um ditado com a segunda parte do qual não concordo” disse ele: “derruba e dá coice”.
Ele ingenuamente admitiu que a presidente foi derrubada, pois só não concordou com o que vinha a seguir: o coice.
Embora as alegações do advogado de defesa da Dilma sejam muito mais substanciais e juridicamente mais corretas do que as frases antológicas de Renan, não há como não admitir que ele, sem querer querendo, deixou claro que se tratou de um golpe que tem tudo para ser invalidado, pois julgamento constitucional não pode ser feito por loucos, burros ou derrubar alguém.
Qualquer semelhança com o “estupra, mas não mata”, não é mera coincidência.
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