Opinião

Quanto vale o silêncio de Mr. Trust?

Bras�lia - O plen�rio da C�mara dos Deputados aprovou por 450 a favor, 10 contra e 9 absten��es a cassa��o do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha (Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag�ncia Brasil)
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As façanhas do deputado cassado Eduardo Cunha atravessaram fronteiras.

Ele virou tema de campanha da Transparência Internacional de combate à corrupção, na qual se explica para que serve um “trust”.

Cunha é apelidado de “Mr. Trust do Brasil”.

Ele que passou o tempo todo sustentando que não tinha conta no exterior, mas um trust, achando que assim se distanciava das acusações agora se confronta com a realidade de que um trust é uma das formas de esconder capitais sem origem legal mais usadas em todo o mundo.

Esse foi seu segundo erro.

O primeiro foi comparecer espontaneamente àquela CPI da Petrobrás comandada por um marionete e afirmar, ao responder à provocação da deputada Clarissa Garotinho, sua inimiga figadal, que não tinha conta no exterior.

Como é que um político considerado acima da média foi capaz de cometer dois erros tão primários?

Seu primeiro erro levou ao impeachment de Dilma.

Se não tivesse feito a declaração espontânea de que não tinha conta no exterior ele não seria denunciado ao conselho de ética.

E, sem a denúncia ao conselho de ética talvez não houvesse motivação para o impeachment.

O segundo erro, baseando sua defesa na tese de que tinha trust, mas não conta em banco, levou à sua cassação.

Assim que recebeu a sentença, saiu atirando ameaças e espalhando notícias-bomba: 1) vai escrever um livro contando tudo sobre o impeachment; 2) culpou Moreira Franco por sua debacle; 3) informou que Geddel Vieira Lima é o próximo a ser alcançado pela Lava Jato e 4) mandou espalhar que Temer não o ajudou “em nada”.

Cunha, que sempre negociou tudo, agora está negociando seu silêncio.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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