Opinião

Tucanos deveriam agradecer a Moro

“Pobre Temer! Depois de empenhar todas as suas energias e as de seu partido na deposição da presidente Dilma a recompensa que ganha é a vitória do PSDB nas eleições municipais!”, escreve Alex Solnik; enquanto Temer “tem servido de saco de pancada”, com as trapalhadas de seu governo, “os tucanos, seus até agora parceiros, ganham todas…

"Pobre Temer! Depois de empenhar todas as suas energias e as de seu partido na deposição da presidente Dilma a recompensa que ganha é a vitória do PSDB nas eleições municipais!", escreve Alex Solnik; enquanto Temer "tem servido de saco de pancada", com as trapalhadas de seu governo, "os tucanos, seus até agora parceiros, ganham todas as láureas e acabam de ganhar a láurea máxima: foram os grandes vencedores dessas eleições, principalmente na maior cidade do país com a surpreendente e inédita vitória de João Dória no primeiro turno", destaca o jornalista; para ele, os tucanos também deveria agradecer ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, por terem ficado de fora da investigação
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Pobre Temer! Depois de empenhar todas as suas energias e as de seu partido na deposição da presidente Dilma a recompensa que ganha é a vitória do PSDB nas eleições municipais!

Desde maio, quando assumiu provisoriamente, até agora tem servido de saco de pancada, graças às suas inseguranças, à baixa qualidade do seu ministério, às suas propostas impopulares e estapafúrdias e às delações da Lava Jato.

Enquanto isso, os tucanos, seus até agora parceiros, ganham todas as láureas e acabam de ganhar a láurea máxima: foram os grandes vencedores dessas eleições, principalmente na maior cidade do país com a surpreendente e inédita vitória de João Dória no primeiro turno.

O PMDB ganhou em muitas cidades pequenas do país, mas perdeu a maior batalha, a de São Paulo. E perdeu de lavada.

Dória agradeceu a muitas pessoas na noite da sua consagração, mas se esqueceu de agradecer à mais importante.

Dificilmente o PT sofreria as derrotas que sofreu, em São Paulo e no país, não fosse a condução da Lava Jato pelo juiz Sergio Moro, cujo método o transformou no principal cabo eleitoral anti-PT, o que deturpa completamente a função que ocupa.

Por alguma singela razão, Moro dirigiu seus holofotes sobre pessoas ligadas ao PT e ao PMDB, deixando de fora o PSDB. Foram dois anos de bombardeio nos quatro grandes jornais, nas três grandes revistas semanais e na rede Globo exibindo imagens que retiravam políticos das páginas nobres dos jornais para as policiais.

Se seu objetivo fosse buscar justiça deveria ter, desde o início da operação, há dois anos, mandado investigar a gênese da corrupção na Petrobrás e então ficaria claro que ela vinha desde o governo Fernando Henrique Cardoso e que muitos tucanos, é claro, tinham suas digitais no escândalo, o que só veio à luz depois da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, em março deste ano.

Ao omitir essa ordem no início, Moro deu contorno político à Lava Jato, mirou preferencialmente no PMDB e no PT, mas sobretudo no PT, fornecendo combustível para o impeachment e para o resultado das eleições de domingo.

Os lances decisivos da Operação Derruba PT foram as prisões de dois ex-ministros da Fazenda dos governos Lula e Dilma, que forneceram novamente manchetes para todos os meios de comunicação disponíveis.

Mas os tucanos deveriam agradecer a Moro sobretudo por ter proibido o marqueteiro João Santana de trabalhar – e ele certamente trabalharia na campanha de Haddad – como lembra sua ex-mulher Lúcia Correia Lima, em comentário no facebook.

Tal como as pessoas que saíram com bandeirinhas verde-amarelas nas ruas queriam derrubar Dilma, não se importando com quem viria em seu lugar, os eleitores de João Dória votaram nele apenas porque demonstrou ser o mais antipetista e o mais capacitado a derrotar o PT.

Os eleitores de Doria não o conhecem, não sabem quem ele é, nem o que vai fazer. Votaram mais contra Haddad do que a favor dele.

E assim como estão mostrando que não morrem de amores por Temer, apesar de ser paulista, se perceberem, no ano que vem, que escolheram o sujeito errado não terão o menor problema em deixar clara a sua insatisfação.

Depois do “Fora Temer” poderá vir o “Fora Dória”.

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Cortes 247

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